O nome dele é Amaro Cândido da Silva, mas, se você chegar na Comunidade do Bode procurando por esse nome, você vai ficar no vácuo. Estou falando de “Maro Barbeiro”, o nome mais lembrado quando se fala em corte de cabelo e de barba na região. É raro encontrar um homem na comunidade que nunca tenha cortado o cabelo no Salão Azul, localizado na Rua São Luís, em frente ao Banhistas do Pina.

Afinal, de onde vem o nome Pina?

Na minha família, ele, que já cortou o cabelo do meu finado avô Antonio, do meu pai, o meu e dos meus sobrinhos. São quatro gerações. “Aqui tem clientes de todas as idades. Já fiz muitos amigos. Tenho amigos antigos, que chegam aqui já tirando liberdade, mas é uma brincadeira sadia”, comenta.

“Eu cheguei aqui no Bode em 1961 com 16 anos e já era barbeiro. As ruas não eram nem calçadas. Não tinha nem a segunda ponte (Paulo Guerra)”, conta Amaro, que tem 73 anos e veio de Igarassu.

Você sabia? As ilhas do Pina já foram local de abandono de escravos

Depois que começou a trabalhar, Maro chegou a integrar o Exército, mas optou por não se engajar, pois os rendimentos como barbeiro eram maiores. “Depois de tomar essa decisão, eu me arrependi, porque o quartel que eu estava ficou responsável por umas viagens, e cada viagem rendia um trocado a mais. Um amigo meu comprou casa e tudo, mas hoje eu não me arrependo de nada não”, afirma.

Vida de barbeiro

No Salão Azul, onde ele trabalha só, está há 31 anos. “Com a vida de barbeiro, eu criei cinco filhos, construí minha casa e ajudei meus filhos a construir a deles”, conta. Antes de abrir o estabelecimento, Maro chegou a largar as tesouras para trabalhar como taxista, mas não demorou para perceber que não dava certo.

“Aqui (no salão), as pessoas me procuram. No táxi, sou eu quem tenho que procurar os clientes”, declara. “O tempo mais complicado pra mim foi quando eu fui taxista. Mas eu não sei o que é desemprego”, acrescenta.

“Hoje eu tô aposentado e já trabalho um pouco menos. Não abro o salão nem terça, nem domingo. Terça eu tiro para resolver minhas coisas, e domingo é pra eu passear”, completa.

Com tanta história, Maro coleciona amigos, os quais não perdem a oportunidade de tirar onda com ele. “Um dia desse eu tava no Centro da Cidade, chegou um cara e disse: ‘Maro, tu ainda tás vivo?’ Eu disse: ‘Vai te lascar, rapaz.’ E toda hora chega um aqui pra tirar onda”, relata.

E assim é o ambiente na barbearia mais famosa e tradicional do Bode.