Uma história de três décadas que vem sendo escrita sem aqueles ares de que pode chegar ao fim. Longe disso, a Cia do Chopp tem seu salão cheio todos os dias da semana e está ganhando um irmão mais novo. Funcionando em esquema soft opening, a operação se chama Cantinho do Tony, em referência ao proprietário da casa, e vai servir as gastronomias italiana e portuguesa.

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Mas até chegar a esse espaço, foram 33 anos marcando época ao estilo botequim. Tudo começou com uma lanchonete de hambúrguer artesanal, que durou 5 anos. “Depois entendi que a tendência do momento era a picanha no espeto e aí virei um bar e passei também a fazer almoço self service”, conta Tony Sousa, dono da casa.

“Mesmo sendo um botequim, nós sempre priorizamos que nossa cozinha tivesse critério. Por isso, temos três chefs no comando, pra manter o padrão que o cliente já se acostumou. É um chef de comida brasileira, outro de comida portuguesa e outro de comida italiana”, comenta.

“Pra mim, o nosso segredo é a maneira como tratamos o chope, por exemplo”, analisa. “Nós gostamos de buscar a cultura que há em cada coisa que vamos servir. Procuramos a história de como surgiu o prato ou a bebida para poder servir da forma que é servida em seu local de origem”, explica.

Nessa brincadeirinha, Tony já enfrentou várias crises políticas e econômicas pelas quais o País já passou. Para ele, a pior é a atual, que, além do esvaziamento de bares em decorrência da Lei Seca há alguns anos, conta com a crise financeira dos últimos três anos.

“Eu tenho um tesão da p… em crise, porque eu tenho que sair da zona de conforto. Se não fosse a crise, eu não teria lançado o cardápio português há dois anos, não relançava os sanduíches, nem lançava o Cantinho”, comenta.

Ainda dentro do processo de reinvenção, a Cia do Chopp diminuiu a exibição de jogos de futebol e passou a investir em música ao vivo. Às quintas-feiras, a Noite do Ragù está mantida. O linguini preparado à bolognesa continua sendo distribuído grátis para quem já está no bar e continua fazendo fila.

Os clientes não deixam de frequentar. “Eu largo do trabalho, passo em casa e venho pra cá”, afirma Flavio Miranda. “Você pode vir sozinho, que vai encontrar alguém conhecido. Sempre tem a resenha dos amigos e rola também o network, porque você vai conhecendo outras pessoas, profissionais de áreas diferentes, e sempre saem acerto até para negócios”, brinca o piloto que frequenta o local desde criança, quando acompanhava o pai.

“Pra mim, a nossa virada foi quando descobrimos o produto que vendemos. Nós não vendemos chope nem comida. Nós vendemos emoção, descontração. Pra isso, temos que preparar tudo o que rodeia essas interações entre os clientes, porque dessa forma, eles vão continuar vindo”, sacramenta Tony.

Cantinho do Tony

O espaço com ambiente intimista e reservado da euforia do bar é a nova menina dos olhos do proprietário, que já planeja se aposentar suas atividades na área de tecnologia para curtir mais de perto a gastronomia.

“Eu vou ter aqui o livro de receitas da minha bisavó, que era portuguesa e vou usá-las no nosso cardápio e estou preparando um menu com receitas clássicas italianas, com consultoria de Antenor Silveira, que foi o criador do Buongustaio.

(Foto: Divulgação)

No almoço, o espaço vai oferecer um buffet self service e, no jantar, o serviço será a la carte, com o prato sempre acompanhado de uma taça de vinho inclusa no preço médio que será de R$ 35.

Empório

Também está em preparação um empório com pastifício para produzir massa artesanal.

Cia do Chopp
Av. Conselheiro Aguiar, 2775, Boa Viagem, Recife – PE
De domingo a quarta-feira, das 11h à 00h | Quinta a sábado, das 11h à 1h