Décadas dedicadas a um bloco de Carnaval. Hoje com 64 anos, Severina Soares de Lima se encontrou pela primeira vez com Banhistas do Pina quando tinha seus 12. De lá para cá, a relação só cresceu. De desfilante, ela passou a costureira, cantora e organizadora do desfile. “Eu costuro, faço as provas, ajusto as fantasias, organizo na formação do desfile e vou pro coral cantar”, conta.

Amigo de infância do Banhistas, Vavá sonha com função social para o bloco

Ao centro, Titinha não perde um desfile no coral (foto: arquivo pessoal)

“Me criei aqui. Constituí família e hoje meu filho é o maestro e meu neto toca na orquestra”, acrescenta Titinha, como é conhecida pelos vizinhos. “Antigamente, a gente ia para o desfile a pé, com o bloco já formado. Saía daqui da Rua São Luís desfilando e muitas vezes chegava na passarela sem os chapéus da fantasia, porque o vento levava na ponte”, completa.

Há alguns anos, a rotina tem sido a mesma. Várias noites viradas para aprontar as fantasias antes do desfile. Neste ano, o bloco tem encontrado algumas dificuldades para levantar verba, e por isso ainda não começou a montagem das fantasias. “Muitas vezes, eu passo o dia todo trabalhando. Não paro nem para comer”, conta.

Apesar de a sede do Banhistas ser a menos de 50 metros, é na casa de Titinha que alguns desfilantes recebem e provam suas fantasias e se arrumam para o desfile. “Sempre tem gente que vem de outros bairros, aí guardo as fantasias aqui porque fica mais fácil para ter o controle”, comenta. Porém nem todo mundo gostava dessa história.

“Meu falecido marido é quem não gostava. Ele dizia ‘o Banhista é ali no outro lado da rua, não é aqui não’. Minha casa fica cheia de fantasias e cheia de gente também”, conta.

Titinha comemorando mais um título do Banhistas ao lado de seu filho, João Carlos (foto: arquivo pessoal)

 

Ao longo desses 52 anos de Banhistas, Titinha só ficou sem desfilar em um ano. Foi quando ela brigou com a diretoria por eu não concordar com a fantasia. “Eu fiquei sentada na calçada da minha casa enquanto o bloco se formava para sair para o desfile. Quando a orquestra começou a tocar eu tapei os ouvidos e corri pra dentro de casa, pra não ver”, recorda. “Mas no outro dia, que já não era o desfile oficial, me chamaram de novo, e eu acabei indo desfilar”.

No entanto não é só no Carnaval e sua preparação que Titinha trabalha pelo Banhistas. Ao longo do ano, a faz-tudo ainda atua na organização das festas na sede. “Quando tem show, eu cuido do camarim, preparo o lanche dos artistas, arrumo o banheiro, e meu filho fica no bar. No fim do show, tudo o que eu peço como pagamento é uma cerveja e um cigarro. Pra mim, tá bom demais”, conta.

O fim dessa relação, que não tem data para acontecer, nem passa pela cabeça de Titinha. “Eu não gosto nem de pensar nisso”, encerra.