Assim como em todo o Recife, a violência tem dado as cartas no dia a dia dos moradores de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. As pessoas têm pautado suas saídas e chegadas em casa de acordo com o horário de menor incidência de ocorrências policiais. Nesta segunda-feira (28), a jornalista Luísa Lobo preparava-se para sair de sua residência quando ouviu vários disparos e teve de mudar a programação.

“Eu já tinha ido ao supermercado, levei minha filha mais velha para a escola, voltei e, quando ia sair de novo, escutei cerca de dez tiros quando estava entrando no elevador. Voltei para casa e fui ver o que estava acontecendo da varanda”, relata a moradora da Rua Francisco da Cunha.

Ela se refere à operação da Polícia Civil que prendeu dois homens suspeitos de participarem de uma quadrilha especializada em roubos de carros. “Eu já tinha ouvido um barulho de sirene de polícia minutos antes e, quando fui sair, escutei os tiros. Fui para varanda para saber do que se tratava e ouvi mais uns seis disparos”, acrescenta.

No início deste ano, Boa Viagem foi eleito o local onde há maior número de roubos a carros no Estado.

Os dois suspeitos capturados estavam dentro de um Toyota Corolla e foram rendidos na calçada do supermercado Carrefour (foto: colaboração)

Não é cinema, é vida real

Apesar da descrição parecer um roteiro de cinema, cenas de violência já foram incorporadas ao cotidiano de quem mora no bairro. “Está ocorrendo assalto praticamente todos os dias. Farmácias, bancos e principalmente porta de garagem de prédios”, conta Luísa.

Desde o início do ano, os casos de violência têm crescido no bairro, com relatos de toque de recolher e troca de tiros em porta de escola. Em meio a isso, cresce também o número de pessoas vendendo e consumindo crack nos arredores da Rua Ribeiro de Brito.

“Minha cunhada tem uma franquia de curso de inglês e já perdeu uma professora, que foi assaltada duas vezes e seguida uma vez dentro de um mês”, completa.

Ainda segundo Luísa, o horário com maior incidência de crimes é entre as 14h e as 16h e depois das 19h. “Quando anoitece, as pessoas entram assustadas nas garagens. Eu gosto de pedalar e deixei de pedalar à noite por causa disso”.