Você sabia que as ilhas do Pina já foram utilizadas para abandono de escravos doentes? Havia um hospital na ilha principal que foi construído inicialmente para receber doentes de febre amarela em quarentena. O livro Histórias do Pina, do pesquisador Oswaldo Pereira, conta que há registros de uma construção de alvenaria composta de duas salas e quatro quartos pequenos – coisa única para 1843 na região – chamada de Lazareto.

Paredes e telhados de palha de coqueiro: eram assim as primeiras casas do Pina

Em 1853, a unidade de saúde foi ampliada para receber, em quarentena, os doentes contagiosos e escravos trazidos da África contaminados com a peste. Por lá, morreram muitos homens negros, que foram enterrados num cemitério que havia próximo do hospital.

Os escravos que ficavam sobreviviam à peste, mas ficavam debilitados por outras doenças, foram ficando na localidade, abandonados pela sociedade escravista. Assim seguiu em funcionamento o hospital até 1902, quando sanitaristas da época entenderam que os ventos soprados do sul levavam a peste para o Recife. Por causa disso, eles decidiram desativar o hospital, transferindo-o para o istmo de Santo Amaro, no centro.