Uma das músicas mais tradicionais do Carnaval pernambucano, Madeira que cupim não rói foi composta por Capiba, em 1963, como uma forma de protesto contra o resultado do concurso de blocos daquele ano, que concedeu o primeiro lugar ao Batutas de São José. O hino deixou cravado na história o nome do Madeira do Rosarinho.

O PSB utilizou por muito tempo a composição de Capiba, mas isso se tornou uma polêmica. Na campanha de 2006, a víuva do compositor Zezita Barbosa deixou claro que ninguém pediu autorização para utilizar a composição: “Nínguém me pediu autorização, nem seu Ariano Suassuna, nem seu Eduardo (Campos. O falecido ex-governador de Pernambuco). Podem cantar na rua, mas meu marido nunca consentiu que fizessem uso político da música dele. Só o que eu pedi foi que não estivesse no guia”, disse em entrevista ao Jornal do Commercio.

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Um dos blocos carnavalescos mistos mais tradicionais do Recife, na verdade o Madeira do Rosarinho tem sua sede  no bairro de Ponto de Parada (Rua Salvador de Sá, 64). Atualmente, o clube recebe festas durante o ano todo com diversos tipos de músicas e tem capacidade para cerca de 1.500 pessoas.

O bloco foi criado por Joaquim de França e um grupo de dissidentes, no dia 7 de setembro de 1926, por causa de divergências com a diretoria do antigo bloco Inocentes do Rosarinho. “Inicialmente, o grupo pensou em chama-lo de gogoia, por estar reunido embaixo de uma árvore dessa espécie, mas houve um consenso de que o nome não ‘soava bem’. Cogitou-se então chamá-lo Madeira que Cupim não Rói, por ser a gogoia uma madeira resistente. Por fim, optou-se por Madeira do Rosarinho’, conta Lucia Gaspar, no site da Fundação Joaquim Nabuco.

 

Foto: Eduardo Amorim/PorAqui

Madeira que Cupim não Rói
Capiba

Madeira do Rosarinho
Vem à cidade sua fama mostrar
E traz com seu pessoal
Seu estandarte tão original

Não vem pra fazer barulho
Vem pra dizer e com satisfação
Queiram ou não queiram os juízes
O nosso bloco é de fato campeão

E se aqui estamos, cantando essa canção
Viemos defender a nossa tradição
E dizer bem alto que a injustiça dói
Nós somos madeiras de lei que cupim não rói