A igreja de Nossa Senhora do Terço, no pátio de mesmo nome, é monumento arquitetônico-religioso situado em pleno território do Carnaval do Recife, no histórico bairro de São José.

No largo diante dela acontece a tradicional Noite dos Tambores Silenciosos, um ritual carregado de espiritualidade que brota da força dos maracatus de baque virado que se reúnem na segunda-feira da folia de Momo para, segundo informações da Fundação Joaquim Nabuco, “louvar a Virgem do Rosário, padroeira dos negros, e reverenciar os ancestrais africanos, que sofreram durante a escravidão no Brasil Colonial”.

Antes que Suma: Casa onde era a Tortaria foi demolida

Cenário e figurante de luxo desta noite de resistência e reverência, a igreja merece ser apreciada, conhecida e ter sua história valorizada.

O templo ocupa a bifurcação das ruas Direita e Águas verdes, tem uma única torre e um formato ajustado à “geografia” imposta pelo traçado urbano. É estreita, alta e “alongada”.

Foto: Josué Nogueira/Antes que Suma

Na fachada frontal, há uma única porta e uma única janela com uma sacada. Também um relógio, um sino e adornos de metal que mostram fiéis ajoelhados diante de uma cruz.

A torre apresenta uma faixa azulejada nos quatro lados, guarda-corpo com função estética e elementos que lembram jarros caprichosamente desenhados para garantir harmonia ao conjunto.

As fachadas laterais – viradas para as ruas que saem do pátio – têm portas e janelas com pequenas sacadas.

Foto: Josué Nogueira/Antes que Suma

De acordo com publicação da Fundaj, “até as primeiras décadas do século XVIII, no começo da rua dos Copiares (chamada, hoje, de rua Cristóvão Colombo), existia um nicho, com uma imagem de Nossa Senhora, onde os viajantes se ajoelhavam e rezavam um terço à Virgem Santíssima.

Como a localidade havia se tornado um ponto importante, a Igreja de Nossa Senhora do Terço foi ali erguida: na antiga rua dos Copiares.

A Irmandade de Nossa Senhora do Terço, por outro lado, só é instalada, na capela de Nossa Senhora do Terço, no dia 19 de setembro de 1726. Na metade do século XIX, tal capela já se encontrava quase demolida, quando, por iniciativa da Irmandade, o novo templo é construído”.

Frei Caneca

Antes da construção, porém, relata o documento da Fundaj, um acontecimento histórico tem lugar às portas da igreja em 1824: a condenação, à forca, do frade revolucionário da Confederação do Equador, Frei Joaquim do Amor Divino Caneca.

“Entretanto, como ninguém se prestou a enforcar Frei Caneca, na igreja de Nossa Senhora do Terço, os soldados levaram-no a pé, por toda a extensão do Pátio do Terço, até o Largo das Cinco Pontas, onde o frade termina sendo morto a tiros de espingarda, junto à igreja de São José, a despeito da comoção popular”.

A igreja tem linhas originais preservadas, mas carece de restauro. O tempo e a falta de manutenção tem provocado estragos bem visíveis.

No seu entorno, o casario que um dia foi moradia, está descaracterizado. Grande parte abriga empreendimentos comerciais que pouco primam pela preservação da memória do Bairro de São José.

Carnaval e História

De todo modo, quando você estiver se encantando com a folia, emocionando-se com os tambores que se silenciam, saiba que estará diante de uma construção repleta de história, um monumento federal tombado pelo Iphan há 80 anos.

Saiba mais AQUI sobre a igreja do Pátio do Terço, inclusive sobre a riqueza do interior da construção (Fundaj). AQUI, sobre as alterações que descaracterizam o Pátio do Terço (Jornal do Commercio). E AQUI sobre a Noite dos Tambores Silenciosos (Fundaj).

Acompanhe tudo sobre o Carnaval do Recife e de Olinda no PorAqui, através do Guia Carnaval 2018.

De suas andanças pelas ruas do Recife, o jornalista Josué Nogueira criou o site Antes que Suma: uma forma de documentar o patrimônio arquitetônico e afetivo da cidade. Parte do conteúdo do site também é disponibilizado PorAqui.