“Fortaleza” cenográfica, antigo Colégio Sérgio Loreto segue abandonado no caminho do Galo. Local em que o desfile do Galo da Madrugada tem a sua apoteose, a Praça Sérgio Loreto, no antigo bairro de São José, é endereço de uma edificação histórica carente de restauração.

Trata-se do prédio que sediou colégio estadual que tem o mesmo nome da praça. A construção, de 1924, ocupa um quarteirão do bairro, com imensa área verde, e passou anos exposta a agressões do tempo, do descaso e do abandono.

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A edificação também foi destino de gente que a utilizava como latrina e esconderijo para o consumo de drogas ilícitas.

Os verbos estão no passado porque o prédio encerrou 2017 murado e “protegido” por arames e uma placa onde pode-se ler “propriedade do Estado de Pernambuco”.

Curiosamente, em 2016 matérias que denunciavam a ruína do antigo colégio informavam que o Estado cedera o imóvel a um organismo de classe.

Fotos: Josué Nogueira/Antes que Suma

No Diario de Pernambuco de 27 de maio daquele ano destacava:

“O terreno é de propriedade do Governo do Estado, mas em setembro de 2011, o então governador, Eduardo Campos (PSB), cedeu o espaço para o Clube de Engenharia de Pernambuco, que funcionava na Avenida Real da Torre, no bairro da Madalena.

A cessão ocorreu através da modificação da lei nº 14.359, permitindo que o uso do espaço por parte do clube pudesse ser feito pelo período de 20 anos. Antes da modificação da lei, a cessão só era permitida por apenas quatro anos”.

E o texto acrescentava que a Secretaria de Administração de Pernambuco informou, na ocasião, que “a responsabilidade pela guarda e manutenção do local é do Clube de Engenharia, que ainda tem a cessão por mais 15 anos do terreno”.

Antes que suma

Bom, o prédio está lá. Sem uso, cercado, mas, ainda assim, sujeito a depredações. Um buraco aberto no muro indica que a proteção é falha.

Se em presídios de Pernambuco muros reforçados e vigiados não impedem fugas de bandidos, imagine se uma parede em redor de um patrimônio arquitetônico esquecido será impedimento para depredação.

Aliás, quando existia apenas no Facebook, Antes que suma fez dois posts, em 2015, mostrando a depredação. Desde lá leitores enviam fotos e se queixam do abandono.

A placa e a cerca de arame servem, portanto, como “resposta” oficial às críticas ao descaso (ou incapacidade ou desinteresse) do poder público em fazer valer uma política de preservação, ocupação e valorização de prédios com reconhecido valor histórico.

Indicam também que, após sete anos, a concessão da edificação ao Clube de Engenharia não prosperou.

A entidade, chegou a apresentar um projeto para aproveitar o prédio – transformando-o num monstrengo de 12 metros – e aguarda a autorização da Prefeitura do Recife.

Enquanto isso, a antiga construção que ostenta uma espécie de brasão da fachada segue sua sina de ruína.

Já não há teto, janelas e portas foram roubadas. Os portões imponentes desapareceram com o muro que se pretende fortaleza, mas, ao que tudo indica, é apenas elemento de cena.

De costas para a História

O Estado, como se vê, virou as costas para a construção. Aliás, o desfile do Galo da Madrugada também. Os “camarotes” montados para a passagem da agremiação têm fundos voltados para a edificação.

AQUI, link em que a página do Clube de Engenharia divulga como será a sede da entidade, em publicação de abril de 2017. Na imagem, fica claro que a atual construção será “alicerce” para uma estrutura de vidro e aço, que nada tem a ver com as linhas originais do prédio.

Neste texto do Jornal do Commercio, também de 2016, o Clube de Engenharia explica o projeto, informa que a realização de atividades da entidade foi comprometida pela falta de estrutura e pediu que o governo do Estado assumisse a segurança do local.

De suas andanças pelas ruas do Recife, o jornalista Josué Nogueira criou o site Antes que Suma: uma forma de documentar o patrimônio arquitetônico e afetivo da cidade. Parte do conteúdo do site também é disponibilizado PorAqui.