A força sagrada dos tambores da África soaram mais alto. Após um ano de interdição pela Vigilância Sanitária, o brilhoso axé da Rua do Amparo, no Sítio Histórico de Olinda, volta a realçar as cores da Cidade Alta na época mais importante do ano para a cidade.

“Agora não tem mais quem segure”, diz Shirley Castro enquanto varre a entrada da casa onde, há 10 anos, funciona a Casa do AxéCachaçaria e iguaria. Conhecida popularmente como Axé de Fala, a bebida africana que contém 25 ervas secretas e 12% de teor alcoólico, é produzida há 25 anos.

A bebida vem acompanhada por uma bisnaga de mel e sementes de guaraná. Foto: Reprodução

Shirley é filha de Carmem Lúcia Castro, responsável primeira pela alquimia e que veio a falecer de infarto deixando a ciência etílica como herança para a família. “A receita do axé veio da minha mãe e agora eu continuo junto com o meu marido”, conta Shirley que sempre acompanhou de perto todo o processo. A filha Milena Castro também participa com os pais.

Com a proibição das vendas a casa teve que se virar vendendo cerveja e outras bebidas não artesanais. “Foi a concorrência que denunciou. O problema não era com a bebida. Na rua outros axés estavam sendo vendidos e ninguém fazia nada”, justifica.

Protegida pelos Orixás e agora pela justiça. Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui

“Pode tirar foto aqui, tá tudo regularizado”, fala Shirley me convidando para entrar e apontando para a parede com todas as comprovações possíveis: Conselho Regional de Química, Alvará de Localização e Funcionamento e Licença Sanitária da Prefeitura de Olinda, Atestado de Vistoria do Corpo de Bombeiros.

A receita do Axé de Fala agora consta no registro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, motivo principal pelo qual a casa agora pode funcionar normalmente. Além da fabricação artesanal do produto, a casa também vende cerveja, água e vinho.

Um é pouco

Shirley honra herança materna. Foto: Rodrigo Édipo/PorAqui

Desde 2014 que o Axé de Fala tem o seu próprio bloco, batizado de Um Axé é Pouco. Uma clara paródia do tradicional Grêmio Lítero Recreativo Cultural Misto Carnavalesco Eu Acho é Pouco, fundado em 1977, a troça criada por Shirley e companhia tem previsão de saída em 10 de fevereiro de 2018, no Sábado de Zé Pereira. A hora ainda está para ser confirmada.

Axé de Fala
?Rua do Amparo, 62, Carmo, Olinda/PE
⏰ Seg. a Sex. (11h às 23h) | Sáb e Dom. (11h às 1h)
Axé: 200ml (R$ 5) | 500ml (R$10) | 1 litro (R$ 20) – Aceita encomenda
☎ (81) 98702-0785 | 3439-0410