Destaque na semana pré-carnavalesca da Zona Norte recifense, o Pára-quedista Real  é um dos blocos mais autênticos do Poço da Panela. Todo ano, na quarta feira que antecede o Carnaval, ele ocupa o Largo do Poço com uma estrutura que lembra os antigos bailes, reunindo moradores e seguidores de todas as idades.

O guia das prévias de Carnaval do Recife e de Olinda ?

Este ano, a agremiação vai festejar seu 18º Carnaval no dia 7 de fevereiro, a partir das 19h. Antes, na quarta-feira 31, realiza o segundo acerto de marcha, na Blue Angel, no bairro da Benfica. Mais do que um bloco que simplesmente desfila pelas ruas, o Pára-quedista ficou conhecido pelas apresentações musicais originais, comandadas por uma orquestra própria formada pelos músicos da banda Sa Grama.

Além disso, é o único, entre os vários blocos de Casa Forte e do Poço, que ainda mantém o formato tradicional de pau e corda, composta por instrumentos como banjo, violão, cavaquinho, bandolim, pandeiro e instrumentos de percussão.

Outro diferencial é o fato dele se comprometer com a renovação do repertório. Além dos frevos clássicos, o bloco lança, a cada ano, novas composições, melodias e arranjos. Para o desfile de 2018, foram compostos 3 novos frevos. Um deles foi disponibilizado na íntegra ao PorAqui. Confere:

VAI SER ASSIM
(Cláudio Almeida/Humberto Vieira)

É noite do Paraquedista
Pra ela não me perder de vista
Vou de terno de risca
De flor na Lapela
Vou vê-la tão bela
No colorido do Poço
Do Poço da Panela

E vai ser assim
Seu olhar em mim
Dizer de um amor sem fim

Que toma o espaço
Me pega no laço
Acalenta o meu cansaço

Origem

O Pára-quedista Real surgiu há 18 anos, quando o Carnaval do Poço ainda não era cheio de prévias como hoje. “Eu voltava do Carnaval de Olinda e ficava achando o Poço muito parecido, só que era um lugar morto. Foi quando tive a ideia de montar um bloco inspirado na musica Pára-quedista, que Roberto Bozan fez para o Madeira do Rosarinho, e que era um hino num grupo de amigos que eu tinha”, explica o advogado Humberto Vieira, que também é compositor de frevo e preside a agremiação.

O sobrenome “Real”, é uma homenagem à Estrada Real do Poço, ponto de partida dos desfiles. “Assim como todo bloco misto e lírico, o Pára-quedista mantém uma relação forte com o lugar onde nasceu, a exemplo dos Batutas de São José e Madeira do Rosarinho. O bloco se identifica com o Poço da Panela e o bairro se identifica com o bloco”, aponta Humberto.