Você sabia que tramita no Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional, o Iphan, em Brasília, um pedido para que o Carnaval de Olinda se torne Patrimônio Imaterial do Brasil? O pedido de registro foi feito ano passado, mas será que vai adiante?

Para começar, dar o selo de Patrimônio Imaterial a um bem cultural significa preservá-lo. “O patrimônio imaterial é transmitido de geração a geração, constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade, contribuindo para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana”, diz o Iphan em sua página na internet.

Até aqui, o Carnaval de Olinda se enquadra direitinho, né? Ou você não se lembra de brincar no Eu Acho é Pouquinho na “carcunda” do seu pai, ou parar um instantinho, no meio da folia, para admirar o casario e as igrejas com quase meio século de história?

E as fantasias, os blocos, o Homem da Meia-Noite, o maracatu, o frevo rasgando a gente, tudo isso sabendo que no ano que vem tem mais? Pois é, parece que o Carnaval de Olinda preenche todos os requisitos, né?

Processo

“Durante o processo, são discutidos todos os valores atribuídos ao bem junto à comunidade. São esses valores que precisam ser salvaguardados após a consolidação do registro. É difícil precisar um tempo para finalização de um registro, porque envolve estudos aprofundados e um processo de construção coletiva”, explica Renata Borba, superintendente do Iphan PE.

Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

Para o museólogo e produtor cultural olindense Aluizio Câmara, não tem como ser diferente. “Olinda tem um modo operandis singular, particular. E o Carnaval é uma expressão artística, preserva uma característica secular – Vassourinhas tem mais de 100 anos”, afirma.

“A ideias mais atuais (e avançadas) do que seja patrimônio cultural são muito generosas e primam pelo respeito aos afetos que as comunidades têm com seus bens culturais. Em outras palavras, patrimônio cultural é aquilo que própria comunidade considera como patrimônio cultural (e não aquilo que um grupo seleto de especialistas considera como tal)”, diz Beto Azoubel, gestor do Ministério da Cultura em Pernambuco e um dos fundadores do Troça Coroas de Aço Inox, que sai no Hipódromo, Zona Norte do Recife, duas semanas antes do Carnaval.

Segundo ele, as políticas culturais recentes referentes ao patrimônio imaterial, balizadas por documentos da UNESCO, têm investido em ações de salvaguarda. “Entende-se por ‘salvaguarda’ as medidas que visam a assegurar a viabilidade do patrimônio cultural imaterial, que compreendem a identificação, a documentação, a pesquisa, a preservação, a proteção, a promoção, a valorização, a transmissão, essencialmente pela educação formal e não-formal, assim como a revitalização dos diferentes aspectos desse patrimônio”, explica. Para ele, tudo isso dá a dimensão da importância do Carnaval de Olinda em se tornar patrimônio cultural imaterial. 
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