Nesta sexta-feira (9), mais uma vez as ruas das Graças foram tomadas pelo Tamo Aqui Pá Gazeá. Criado pelos alunos, funcionários e professores do Instituto Capibaribe, a troça brinca no seu nome com o desinteresse de alguns alunos de uma antiga 8ª Série com o Carnaval. Mas acaba que o trabalho com a cultura dos professores de lá tem criado muitos foliões e apaixonados pelo frevo.

“Comecei com 5 anos, lá no Instituto Capibaribe, com a professora Mabel (Carvalho). Ela tem um método maravilhoso para ensinar dança para as crianças”, conta Laís Senna, que aos 20 anos é integrante do Balé Popular do Recife. Nesta sexta-feira, vídeo (veja abaixo) criado em um dia de gravações e edição por Sylara Silvério tem circulado nas redes e mostra a dançarina.

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Na vida atribulada, Laís procura sempre achar um tempinho para passar no Instituto Capibaribe. Hoje (9), ela passou no Tamo Aqui Pá Gazeá mais uma vez: “tem menino de dois anos que fica pulando, meninas viradas com 12, 10… E eu fico me vendo quando comecei”, explica. No ano passado, ela ajudou Mabel num espetáculo criado com as crianças da escola.

As duas são crias do método Brasílica, criado por André Madureira, no tempo do Movimento Armorial. Estudante de Rádio, TV e Internet na UFPE, Laís espera começar a dar aulas de dança ainda em 2018.

Ela passou um tempo afastada do frevo para fazer vestibular, mas hoje divide seu tempo entre a universidade, a Escola Técnica de Criatividade Musical e as aulas de dança contemporânea e os ensaios no Balé Popular do Recife.

Uma peleja de ‘frever’ corações e a arte pernambucana de se comunicar com os pés

Sylara espera dar continuidade ao trabalho com Laís, agora com a proposta de mostrar também a dança contemporânea. Na postagem no Facebook, Laís explica um pouco do sentimento que tem sentido.

“A carne de carnaval que a gente tanto sente.

Sinto ela todos os dias, todos os meses, todos esses anos. Desde que me entendo por gente, faço o passo porque é assim que eu sei ser eu. Danço com Pernambuco embaixo dos pés, saindo por todos os lados do corpo, pelos sorrisos, pelas mãos…

E tenho a honra de não estar só, me acompanha todo o povo dessa terra, meus mestres e mestras, meus ancestrais e contemporâneos. Resisto, transbordo de orgulho por carregar essa bandeira, e a arte sempre com amor. Viva viva Pernambuco! Viva o frevo!”