Mais do que conhecido, reconhecido, louvado e aclamado, o Frevo completa, neste 9 de fevereiro, 111 anos de criação (isto quer dizer, quando foi publicado o termo “frevo” pela primeira vez, na edição de 9 de fevereiro de 1907, do Jornal Pequeno).

Entre as tantas releituras e desconstruções pelas quais o frevo passou ao longo de tão larga existência, uma delas alcança completa década em 2018. O CD Frevo do Mundo trouxe, naquele ano de 2008, um hall de artistas dos mais diversos para imprimir novas roupagens (de verdade) ao gênero musical.

Pupillo (Nação Zumbi) é um dos produtores responsáveis por ‘Frevo do Mundo’ (Foto: Reprodução)

O álbum traz nomes como Edu Lobo, Mundo Livre S.A, João Donato, Cordel do Fogo Encantado, 3 na Massa, Céu, Orquestra Imperial, Erasto Vasconcelos, etc. Cada um dos convidados imprimiu uma marca muita própria, interagindo com as orquestrações dos maestros Spok, Duda, Clóvis Pereira e Ademir Araújo.

O resultado instigante vale muitíssimo a pena conferir nas 14 faixas deste trabalho, produzido por Pupillo (Nação Zumbi) e Marcelo Soares, do estúdio Muzak. Frevo do Mundo foi recentemente disponibilizado nas principais plataformas digitais de streaming. Confere lá no Spotify, Deezer, i-Tunes e Google Play.

Também dá pra ouvir no Youtube, onde está publicado desde 2014

O disco

O velho híbrido entre “tradição e modernidade”, que tanto persegue a história da música pernambucana, descambou em um resultado bem original conseguido em Frevo do Mundo, que pode sair um pouco dessa linha de mais do mesmo.

Mesmo as músicas antigas e clássicas do nosso frevo ganham uma abordagem completamente inédita e surpreendente. É o exemplo da faixa mais tocada do disco, É de Fazer Chorar, na versão bem “Original Olinda Style” da banda Eddie.

A banda Eddie gravou a faixa mais executada de Frevo do Mundo, “É de Fazer Chorar” (Foto: Reprodução/Facebook)

Fogão, composição de Sérgio Lisboa, é totalmente “entronchada” pelo piano de João Donato. Oh! Bela!, de Capiba, com China e Sunga Trio, ganha sonoridade pop eletrônica com um balanço daqueles.

Em Saudade, dos irmãos Valença, a verve teatral é a realçada pela voz de Lirinha, acompanhada do com o background poderoso do Cordel do Fogo Encantado. Os Melhores Dias da Minha Vida, outra de Capiba, ganhou ares de carnaval de rua, e a interpretação inconfundível de Siba.

Siba interpreta “Os Melhores Dias da Minha Vida”, de Capiba (Foto: Reprodução/Facebook)

Céu traz uma beleza incomparável à Frevo da Saudade, acompanhada pelo grupo 3 na Massa. Quem se aproxima mais da versão original é Edu Lobo, em Recife (Frevo nº 1), de Antônio Maria. E o sabor de novidade pura e total vem com Mundo Livre S/A, na faixa inédita Metendo Antraz.

Hoje é dia do Frevo! Liga o som bem alto e dança uma dança diferente, que pode ser frevo ou o que você quiser, na vibe desse discaço!