“Para mim, é muito gratificante. É um reconhecimento pelos meus 50 anos de atividade musical, sempre elevando os elementos culturais, como frevo, maracatu, ciranda, coco de roda e por aí vai”. É assim que começa a conversa com Jota Michiles sobre sua participação no Carnaval do Recife deste ano. Ele é um dos homenageados, ao lado de Nena Queiroga.

São 50 anos dedicados muito mais à composição de frevos marcantes que caem na boca do povo com facilidade, como é o caso de Bom Demais, eternizado na voz de Alceu Valença, seu parceiro mais constante. Outros exemplos de músicas gravadas por Alceu e que não saem de moda são Me Segura Senão Eu CaioDiabo LoiroVampira. Todas em ritmo eletrizante e melodia picada.

A característica é herança de Jackson do Pandeiro, a quem passou ouvindo durante a infância. “Eu cresci ouvindo grandes mestres, como Capiba, Nelson Ferreira e ficava impressionado com o malabarismo rítmico de Jackson do Pandeiro”, conta.

A carreira começou em 1964, durante a época da Jovem Guarda, integrando os Golden Boys. Em 1966, a primeira honraria. Ganhou o Festival “Uma Canção Para o Recife”, com a música Recife Manhã de Sol. Mas foi, de fato, Bom Demais a grande arrancada dele nos Carnavais, em 1986.

Neste ano, seu show será especial. Não é para menos. O anfitrião do Carnaval do Recife será acompanhado pela Transversal Frevo Orquestra, regida pelo filho Cezar Michiles, e receberá nomes, como Alceu Valença, Elba Ramalho, Fafá de Belém, Fulô de Mandacaru, Victor e Louro Santos, Benil, Almério e Geraldo Azevedo.

“Eu vou apresentar o show e vou cantar também. Vou homenagear algumas figuras também, como Carlos Fernando, na interpretação de Geraldo Azevedo. E terá uma homenagem que Benil vai fazer ao Galo da Madrugada, com a música Galo Quarentão, que eu compus quando o Galo fez 40 anos”, afirma.

Além da abertura oficial no Recife, Jota vai se apresentar em outros polos da cidade, em Olinda e no Interior. “Este é o meu momento”, finaliza.