Puxões de cabelo, braços agarrados, rodinhas insistindo em beijos forçados, estupros e os mais diversos tipos de assédios: o cenário pode parecer de horror para muitos, mas as mulheres sabem muito bem o que é isso.

Com o objetivo de juntar o maior número possível de relatos de mulheres vítimas de assédio e violência durante o Carnaval, a rede Mete a Colher lança o segundo ano da campanha #AconteceuNoCarnaval.

“A importância do projeto é coletar os relatos das mulheres para que possamos exigir futuras políticas públicas da prefeitura e do governo em relação à violência contra a mulher”, afirma Renata Albertim, assessora de imprensa do Mete a Colher.

Empoderada, Mulher do Dia volta a causar nas ladeiras de Olinda

Este ano, além da parceria com o Meu Recife, que já aconteceu em 2017, o Mete a Colher também recebe apoio da Minha Sampa e da campanha #CarnavalSemAssédio do site Catraca Livre. A campanha irá extrapolar os limites do estado de Pernambuco e pretende atingir mais de 4 milhões de pessoas, principalmente nas cidades de Recife, São Paulo e Rio de Janeiro.

*Os relatos que você vai ver ao longo desse texto foram feitos de forma anônima na campanha de 2017 do #AconteceuNoCarnaval. 66 mulheres relataram os assédios que sofreram no Carnaval de Recife e Olinda.

“Terça de Carnaval. Enquanto eu caminhava, em meio à multidão, tive minha genitália apalpada por um cara desconhecido.”

Segundo dados da Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República (SPM- PR), os casos de violência sexual registrados no país aumentaram 88% no Carnaval de 2017, se comparado ao mesmo período de 2016.

O Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher), recebeu 2.132 ligações de todo o país entre os dias 25 e 28 de fevereiro. Mais da metade das denúncias (1.136 ou 53,4%) foram relativas à violência física. Outros 671 casos (31,4%) se referem à violência psicológica.

“Sábado de carnaval. Estava com a minha irmã e um cara tentou beijá-la a força. Enquanto eu estava tentando salvar a minha irmã, o amigo desse cara tentou me agarrar e puxou o meu sutiã.”

#AconteceuNoCarnaval

Em 2018, a expectativa do projeto é contabilizar mais de 5 mil relatos desde as prévias, que começaram em janeiro, e seguir com a coleta de relatos até o final do mês de fevereiro. As formas de relato são via site no aconteceunocarnaval.org/ ou via WhatsApp, através do número (081) 99140-5869.

Renata Albertim frisa também a importância da denúncia formal do assédio: “Ao relatar o assédio no nosso site ou Whatsapp, a mulher não estará fazendo uma denúncia formal. É necessário entrar em contato com o 180 (Central de Atendimento à Mulher) e registrar a ocorrência”.

No ano de 2017, a campanha reuniu 66 relatos, apenas em Recife e Olinda, em que foram identificados quais os tipos de assédio mais comuns e os locais, entre o Recife Antigo e o Sítio Histórico de Olinda, em que eles ocorrem com mais frequência.

Segundo o mapeamento feito pelo projeto, o Marco Zero, no Recife, e a Praça 13 de Maio, em Olinda, foram os dois pontos principais de ocorrências de assédio e violência.

“Em Olinda, o número de assédios relatados foi substancialmente maior que no Recife. Levantamos aqui a hipótese de que, mesmo possuindo apenas um centro de combate presencial, a presença de teve efetividade e isso se refletiu nos números de ocorrências. Verificamos que a concentração dos assédios se deu principalmente em dois locais: Rua Treze de Maio e Rua do Bonfim”, afirma o relatório lançado pela campanha.

“Segunda de Carnaval. Duas mulheres (um casal de namoradas), foram primeiro assediadas e depois agredidas com tapas por um cara enorme, de quase 2 metros. Após a agressão, ainda abriram um corredor pro cara passar. Haviam 10 policiais sem identificação no local, que se negaram a prestar socorro, dizendo que não era sua função fazer isso. As meninas foram ao Núcleo de Apoio na Praça do Carmo e, lá, disseram que era só informação turística, que não podiam ajudar.”

Fitinhas da sororidade

Uma das frentes de ação da campanha é a distribuição de fitinhas da sororidade. O objetivo é incentivar as mulheres a se ajudarem mutuamente quando presenciassem alguma cena de assédio. Com os os dizeres Moça, to aqui pra te ajudar: denuncie assédio usando #AconteceuNoCarnaval, cerca de 2 mil fitinhas foram distribuídas em 2017.

Este ano, o projeto vai distribuir 20 mil pulseirinhas. A novidade é que mais de 40 pontos em Olinda já se disponibilizaram para entrega das pulseiras.

Para garantir a sua, acompanhe os locais de retirada no Facebook da campanha e meta a colher. ?