Recife, fevereiro de 1909. Na secção Cavaco do Jornal Pequeno do dia 24, as palavras pareciam pular da página: “Frevo, palavra magnética, capaz de por em vibração contínua o universo inteiro”. Os dizeres levavam a assinatura de um certo Jota, jornalista.  Não seria a primeira vez que a palavra FREVO ganharia as páginas dos jornais – e muito menos a última -, mas com certeza foi a melhor definição já publicada em letras pretas e fundo branco.

Dois anos antes, em 9 de fevereiro de 1907, é que surge, aí sim, o primeiro registro já encontrado na Imprensa pernambucana de FREVO.  Também no Jornal Pequeno, o jornalista Osvaldo Almeida publicou em sua coluna Carnaval, uma nota em que mencionava o repertório do ensaio geral do Clube de Empalhadores do Feitosa.

Uma peleja de ‘frever’ corações e a arte pernambucana de se comunicar com os pés

Entre Delícias, Amorosa, O Sol e Dois Pensamentos (todas músicas que foram tocadas no desfile do dia anterior) resplandecia O Frevo, que era uma composição que chegou a andar sem nome, segundo Mário Melo, até receber a alcunha O Frevo. Ironia do destino, o batismo tardio a faria entrar pra história!

Registro do Jornal Pequeno de 9 de fevereiro de 1907 em que se vê a primeira mênção ao FREVO.

Grande Evandro

É aí que entra o pesquisador cultural, amante do Carnaval, Evandro Rabello, que infelizmente partiu em 2015, mas deixou de herança o Dia do Frevo. Foi ele que, funcionário público, gastava as horas de intervalo pesquisando sobre cultura popular, Carnaval e frevo.

Evandro Rabello deixou vasta obra sobre nosso Carnaval. (Foto: Acervo da família.)

Foi ele que achou essa primeira referência à palavra FREVO em um jornal, antes de cair no gosto e nos corações dos pernambucanos.

Neste momento histórico, em fevereiro de 1907, nem era ainda um ritmo, mas foi a primeira vez que as cinco letras chegaram juntas.

O rebuliço viria alguns anos depois. E várias explicações para a origem da palavra: desde o óbvio “fervo” a uma rima com “trevo”, passando, claro, por uma  explicação mais erudita e religiosa. Segundo o médico e escritor Ruy dos Santos Pereira, o nome pode ter derivado de “freiria”, que significa congregações, confrarias, sociedades…

Tudo isso está lá nos estudos de Evandro Rabello, que conseguiu que a descoberta virasse oficialmente Dia do Frevo em 1990.