Quando pensamos em palhaço, logo imaginamos um homem com o rosto pintado, uma bola vermelha no nariz fazendo graça para uma plateia. A mulher nunca foi figura principal nesse contexto, mas, há alguns anos, esse cenário vem se modificando.

Prova disso é um encontro que será realizado de hoje (9) até domingo (11) na cidade de Chã Grande, a 129 km do Recife, e que reunirá iniciados, ou não, em palhaçaria. O evento acontece no Espaço Tempo Xammaiar.

A imersão em palhaçaria acontece no Espaço Tempo Xammaiar. (Foto: Divulgação)

A imersão em palhaçaria será conduzida pela mestra palhaça Andreia Macera. Ela é a palhaça Mafalda, de São Paulo, e exerce o ofício de palhaça há 21 anos. Começou como atriz do grupo LUME de Campinas e posteriormente estudou com a canadense Sue Morrison.

“Há 21 anos fui para um retiro de palhaços porque diziam que era bom para atores, nunca mais voltei ao normal (kkkkk), depois conheci a mestra clown canadense Sue Morrison e realmente depois dela fiz a escolha pela palhaçaria e sabia que não tinha mais volta. Hoje estudo minha arte cada vez com mais dedicação e felicidade por exercer esse ofício”, revelou.

A vez da mulher no stand up comedy

A mestra palhaça Andreia Macera é quem vai conduzir a imersão. De acordo com a organizadora do encontro e também palhaça, Lívia Falcão, a imersão tem como objetivo aprofundar (pros já iniciados) os conhecimentos e vivências na linguagem do palhaço e abrir as portas (pros não iniciados) desse universo mágico e profundo.

“Vamos trabalhar na cena e na vida a presença, o jogo e a comunicação. Divulgar o caminho da palhaçaria como ferramenta também de autoconhecimento e libertação de padrões aprisionantes, saindo, inclusive, do centro urbano”, explicou à organizadora.

Lívia Falcão é uma das organizadoras do encontro. (Foto: Divulgação)

Ainda segundo ela, a profissão de palhaça é algo ainda novo, mas em potente crescimento no estado. Em 2011, a “Duas Companhias”, em parceria com a “Cia Animee”, produziu o pioneiro projeto de formação de mulheres Palhaças de Pernambuco, sob a regência da Palhaça Adelvane Néia, na Mata Norte do estado.

Depois disso, o movimento ganhou ainda mais força e projeção com a realização do Festival Internacional de Palhaças do Recife, que de 2012 até 2017 já teve três edições.

“A meu ver, a Palhaçaria hoje está em crescimento e fortalecimento de uma maneira geral. Os projetos que trabalham com a linguagem nos hospitais (como os Doutores da Alegria, por exemplo) vêm crescendo e sendo reconhecidos pelo seu valor”, revelou Lívia Falcão para depois complementar:

“Do ponto de vista artístico, é sabido que os artistas que se dispõem a encontrar seu palhaço atuam com mais verdade, disponibilidade e entrega nos seus papéis no teatro, cinema ou televisão. Terapeuticamente, a palhaçaria tem se mostrado como um importante caminho de autoconhecimento”, finalizou.