No penúltimo sábado do mês de junho, um grupo de voluntários do projeto ambiental Alto Sustentável fez um mutirão no Alto José do Pinho. Eles retiraram lixo e plantaram mudas dentro de pneus em um terreno baldio próximo de uma das escadarias do bairro. O mutirão virou uma grande polêmica na comunidade.

Prefeitura retira plantação de mudas no Alto José do Pinho

Isso porque, dois dias depois, fiscais da Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano (Semoc) da Prefeitura do Recife passaram por lá e retiraram os pneus com as mudas de plantas que haviam sido colocados no local. A prefeitura alegou que o jardim prejudicava o ir e vir das pessoas da área, principalmente quem passava de moto ou de cadeira de rodas pelo local.

Houve grande polêmica na comunidade. Muitos se posicionaram contra a ação da prefeitura em arrancar o jardim antes de ouvir a população. Uma reunião foi convocada com os representantes do Alto Sustentável e surgiu uma solução: um jardim móvel.

Jardim móvel ficou pronto nesta quarta-feira. Foto: Alto Sustentável/Divulgação

“Fomos recebidos por Sérgio Pinto, da Semoc, que reconheceu que não houve diálogo com a comunidade para retirar o jardim e que houve divergência no critério de avaliação. Foi nesta reunião que disseram que iam nos dar um jardim móvel, o primeiro do Alto José do Pinho”, conta o coordenador do Alto Sustentável, o biólogo Hamon Dennovan.

O jardim móvel não foi exatamente o que a comunidade esperava, mas foi instalado nesta quarta-feira. “Nós agradecemos pela carroça que a prefeitura improvisou, depois de ter tomado todo material do nosso primeiro jardim. Não ficou do jeito que a gente imaginou, precisa de duas ou três pessoas para mover o jardim. Somos gratos por terem dado essa solução para resolver o problema, mas 90% do trabalho foi da comunidade”, conta.

No jardim móvel foram plantadas espécies como Espada de São Jorge e Comigo-ninguém-pode, além de outras plantas ornamentais e mudas trazidas pelos moradores.

Com o fim da polêmica, os moradores agora se voltam para outras prioridades do bairro. “Nossa luta mesmo é para ter condições de manejo dos resíduos sólidos, um ecoponto, papas-metralha, lixeiros. Por exemplo, só temos três lixeiros na praça principal. Queremos infra-estrutura no bairro”, cobra Hamon.