Quando a família Pereira saiu da cidade de Passira para o Recife em 1975 foi para trabalhar em uma mercearia. O negócio foi mudando de rumo, com a venda de petiscos e de bebidas crescendo mais rápido, e logo o local se transformou em um bar. Hoje, todo mundo no Alto José do Pinho sabe onde fica o Caldinho do Biu.

Há 43 anos estão no mesmo pequeno imóvel de esquina. Embaixo, o bar. Em cima, a casa da família. E boa parte dela trabalha por ali mesmo: seu Biu, que dá nome ao lugar, fica atendendo os clientes; a mulher dele, Maria da Conceição, é responsável pela cozinha, ao lado da filha Fernanda; o filho Flávio e um irmão de seu Biu, Cláudio, também ficam na administração do espaço.

Seu Biu e o filho Flávio. Foto: Maria Carolina Santos/PorAqui

Durante os primeiros 20 anos, o bar funcionou com petiscos do mar e da terra, cada um separado em seu prato. Mas em uma noite tudo mudou. Seu Biu conversava com uma freguesa, quando ela sugeriu que ele colocasse um caldinho no cardápio – um que levava feijão preto e camarão.

“Meu pai nunca tinha nem ouvido falar em caldinho, não sabia o que era. Aí ela disse para ele tomar nota e passou toda a receita, que é a mesma que servimos até hoje. Nunca mais essa freguesa apareceu por aqui”, conta o filho Flávio.

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A receita da cliente misteriosa rapidamente conquistou os clientes. Nela, tem ovo de codorna (dois, no caldão), azeitona, camarão e caldo de feijão. O nome do bar foi dado mais ou menos na mesma época por um representante da aguardente Pitú, que passou pelo local e prometeu uma placa para a então “Barraca do Biu”. Quando a placa chegou, o novo nome estava dado: Caldinho do Biu.

Hoje, se você quer saber onde fica tal local no Alto José do Pinho, é bem provável que digam que fica antes ou depois do Caldinho do Biu. “Do mesmo jeito que a comunidade nos abraçou e nos abraça, nós também devolvemos. Ajudamos o maracatu, a escola de samba, a associação de moradores. Sempre apoiamos com camisas, com almoço, com lugar para fazer reunião”, conta Flávio.

De uns anos para cá, o Caldinho do Biu ultrapassou as fronteiras do Alto José do Pinho ao aparecer como indicação em uma revista de gastronomia. “O músico Luciano Queiroga veio aqui e adorou o caldinho. Foi ele quem primeiro nos indicou para a revista”, lembra Flávio.

E é bom esse caldinho?

Delicioso. Para quem vai até o Alto José do Pinho só para tomar o famoso caldinho, o melhor é pedir o caldão. Custa R$ 6 e vem em um copinho de 180ml – o menor sair por R$ 4. Para fazer dupla com o caldão, o quartinho de aguardente é bem servido (R$ 6). O peixe em posta é outra vedete do cardápio e custa R$ 30, mesmo preço também do jabá.

É um bar simples, com mesas e cadeiras de plástico, público majoritariamente masculino, mas ambiente tranquilo e atendimento atencioso. Vende cervejas Brahma (600ml, R$7), Antartica (600ml, R$ 6,50) e Nova Schin (600ml, R$ 6,50).

Caldinho do Biu
⏰Abre de terça-feira a domingo, de 10h às 15h. Nas sextas e sábados funciona também à noite, de 19h até meia-noite.
📌Rua Severino Bernardino Pereira, 205, Alto José do Pinho. Recife-PE
📞 (081) 3441-4865