Um dos símbolos da feiúra da Avenida Norte, os gelos baianos estão deixando o cenário desde o início desta semana. A retirada está sendo feita pela Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), dentro do programa Ilumina, que vai colocar 266 postes nos novos canteiros ao longo de toda via, em um investimento de R$ 2,8 milhões da Prefeitura do Recife.

A obra começou pela Macaxeira e nesta quarta-feira já havia passado da entrada principal do Vasco da Gama. A previsão é de que fique pronta em agosto.

Se o gelo baiano não agradava ninguém, o novo canteiro está longe de ser unanimidade. No lugar dos 3.400 blocos de concreto está sendo colocado um canteiro de cimento com 40 centímetros de altura e 70 centímetros de largura.

Frequentadora da Avenida Norte, Nilda da Silva achou o canteiro alto para atravessar. Foto: Maria Carolina Santos/PorAqui

Moradora da Bomba do Hemetério e usuária diária da Avenida Norte, Nilda da Silva teve dificuldade em subir no canteiro para poder atravessar as faixas. “É um perigo. Achei muito alto. Se você tropeçar, já vai cair em cima dos carros do outro lado”, reclamou.

Morador da Zona Norte, Nicolas Muniz achou o novo canteiro mal feito. “Não entendi porque fizeram isso. Em caso de acidente, por exemplo, o carro vai conseguir passar para o outro lado”, opinou. Já o vendedor André da Silva de Souza  aprovou a mudança. “Se o carro bater, o gelo baiano muda de lugar. Com o canteiro, não”, acredita.

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A vendedora Gerlane Asserbe, que trabalha na Avenida Norte, viu uma função no perigo do novo canteiro. “As pessoas agora vão pensar duas vezes antes de atravessar fora da faixa, porque não tem muito espaço neste canteiro”, diz. Em um ponto, todos concordaram: o gelo baiano não era o ideal.

Em entrevista ao Jornal do Commercio, o Secretário de Infraestrutura do Recife, Roberto Gusmão, afirmou que haverá passagens para pedestres ao longo do canteiro.  “É claro que precisamos de critério e demanda para abrir as passagens, mas elas serão feitas. Já recebemos diversas comunidades com o mesmo pedido, que será atendido. Serão aberturas semelhantes as que existem no primeiro trecho da Avenida Norte, entre a Ponte do Limoeiro e a Avenida Agamenon Magalhães”, garantiu o secretário em entrevista à repórter Roberta Soares, do blog de Olho no Trânsito.

Previsão é de que obra fique pronta em agosto. Foto: Maria Carolina Santos/PorAqui

Alternativas para a Avenida Norte

No ano passado, o  Instituto Casa Amarela Saudável e Sustentável ouviu moradores e arquitetos e preparou algumas alternativas para melhorar a Avenida Norte. Uma delas  é a da imagem abaixo. Nenhuma das propostos foi levada em conta pela Prefeitura do Recife.

Um dos projetos do Icass para a Avenida Norte. Imagem: Icass/Divulgação

“(sobre o novo canteiro) É uma obra completamente fora do tempo, anacrônica. O que estão fazendo é de uma grosseria tremenda. Em último caso se colocaria ali uma ciclovia, que teria muito mais função do que aquele muro. Mas mais uma vez se faz uma obra para no futuro um outro secretário refazer e melhorar. Sem falar nesse processo antidemocrático de não ouvir organizações do território onde se faz as intervenções. Lamentável”, critica o representante do Icass, Vandson Holanda.

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Para o engenheiro agrônomo Augusto Fernandes, também do Icass, a Avenida Norte merecia um projeto que pensasse melhor a relação das pessoas com a cidade. “Substituir o gelo baiano por um canteiro de cimento e brita somente para colocar iluminação é não se importar com a falta de elementos naturais que praticamente inexistem ao longo da via. Qual o conforto a via oferece para seus usuários, incluindo pedestres? Não vejo essa obra com bons olhos, pois não atende nenhum critério de qualidade de vida, ao meu ver”, diz.

E você, o que achou da mudança? Deixe sua opinião nos comentários!

“Antes da prefeitura fazer uma obra deste impacto, deveria buscar o aval da sociedade. Um modelo de gestão social poderia ser ensaiada. Sobre o ponto de vista do plantio de árvores, os canteiros não suportariam o crescimento das raízes. E quanto ao o uso de vasos, teria que haver uma manutenção periódica e a via sofreria mais intervenções. Enfim, são muitos pontos a serem analisados. A verdade é que não buscaram alternativas mais interessantes para a população, uma mera obra para justificar a verba enviada”, critica.