Com 6,5 hectares de muita área verde, o Sítio da Trindade é frequentado pelos moradores da Zona Norte para atividades físicas, passeios, aulas e diversão. O local, porém, é muito importante também para a história de Pernambuco e do Brasil. Confira três momentos e fatos históricos em que o Sítio da Trindade foi protagonista.

Forte na invasão holandesa
Por ser um terreno elevado e na, época, considerado “interior” do Recife, foi montado ali o Forte Arraial do Bom Jesus, também chamado de Arraial Velho, em 1630.

Até 1635 o general Matias de Albuquerque manteve o Forte como um ponto de resistência contra os holandeses. Naquele ano, os holandeses bombardearam o local e os militares foram embora, construindo outro forte, o Forte Real do Bom Jesus, conhecido como Arraial Novo, nos Torrões.

Casa Amarela começou aqui
Por conta do forte, o exército luso-brasileiro montou um acampamento no local e cerca de mil moradores de Olinda e do Recife se mudaram para as proximidades do Sítio da Trindade, em busca de segurança. Algum tempo depois do bombardeamento do forte, os moradores começaram a reparar as casas danificadas e também construíram outras moradias.

Foi assim que surgiu a Povoação do Arraial Velho, vila que deu origem ao bairro de Casa Amarela. O nome “Trindade” vem da família Trindade Paretti que ficou com a posse do terreno.

Em 1952 o sítio foi desapropriado e em 1974 foi classificado como conjunto paisagístico tombado pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Sede do Movimento de Cultura Popular (MCP)
Criado no dia 13 de maio de 1960, como uma instituição sem fins lucrativos, o movimento reuniu diversos intelectuais e artistas, como Paulo Freire, Abelardo da Hora, Francisco Brennand, José Cláudio e Ariano Suassuna. A sede era no Sítio da Trindade e as principais atividades do local eram a educação de base e a alfabetização de adultos.

No dia do golpe militar de 1964, dois tanques foram colocados nos jardins da entrada do Sítio Trindade. O espaço onde funcionava o MCP foi invadido pelos militares e depredado.

Todo o material pedagógico foi apreendido como prova de subversão e  depois queimado. Obras de arte foram destruídas e muitos dos envolvidos no MCP foram perseguidos, presos ou exilados.

Fonte: Fundação Joaquim Nabuco