Por Gabriela Belém

“Eu sou mameluco / sou de Casa Forte /sou de Pernambuco / eu sou o Leão do Norte”   . E aí? Qual morador do bairro nunca cantou (com aquela empolgação debaixo do chuveiro  ) os versos do pernambucano Lenine na canção Leão do Norte

(foto: Reprodução/Praça de Casa Forte antigamente)

É com este orgulho de ser 'casaforteano' que lembramos, neste aniversário de 480 anos do Recife (12), oito fatos históricos e culturais pra você reviver esse sentimento gostoso de pertencimento à cidade, sobretudo de fazer parte da nossa querida vizinhança. Veja:

1. O Padre Roma, figura da Revolução Pernambucana de 1817, já foi o dono de Casa Forte

Em meados de 1810, o engenho Casa Forte foi comprado pelo padre José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima, conhecido como o padre Roma, uma das grandes figuras da Revolução Republicana de 1817. 

O local foi inicialmente criado em meados do século 16, por Diogo Gonçalves, em parte das terras que lhe foram doadas pelo donatário da Capitania de Pernambuco, Duarte Coelho.

2. Maurício de Nassau foi homenageado pelas terras de 'Strong House'

(Reprodução: Portrait of Johan Maurits (1604-1679), Count of Nassau-Siegen/Domínio público)

Antes de se chamar Casa Forte, o local já foi intitulado Nassau, em homenagem a ele mesmo, o famoso conde Maurício de Nassau, que chegou ao Recife em 23 de janeiro de 1637. Encantado com a beleza da terra tropical, passou a chamar Pernambuco de Nova Holanda, na época da colonização holandesa em Pernambuco (1630 a 1654). 

A sua comitiva era composta por pintores, como Frans Post e Albert Eckhout, escultores, astrônomos, arquitetos e outros cientistas.  

3. O nome da Avenida 17 de agosto remete à expulsão dos colonos holandeses

(foto: André Nery/JC Imagem)

Antes de se tornar uma via de fluxo elevado de veículos, a avenida 17 de Agosto tem suas origens na colonização holandesa em Recife, no século 17. 

A principal artéria do bairro é uma homenagem ao dia da vitória dos pernambucanos contra a dominação holandesa em solo recifense (mais precisamente em 17 de agosto de 1645, quando houve a Batalha de Casa Forte — que libertou algumas ilustres senhoras pernambucanas encarceradas pelos holandeses na casa-grande do engenho de Dona Anna Paes, que depois se tornou o engenho Casa Forte).

Segundo o historiador Marcos Aratu da UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco), os livros de história não são precisos, mas por volta da década de 30, oficialmente, a famosa avenida passou a ser chamada assim.

4. O Poço da Panela, no passado, era um local de veraneio

(foto: Igo Bione/JC Imagem)

O Poço da Panela surgiu por volta do século 18, parte das terras do engenho Casa Forte. No início era um simples povoado em meio às grandes plantações de cana-de-açúcar. 

Porém, a partir de 1746, este perfil começou a mudar. Uma grande epidemia de cólera tomou conta do Recife –e alguns médicos divulgaram que os banhos, durante o verão, no trecho do Rio Capibaribe que banhava o povoado, eram um milagroso remédio no combate à doença. 

A notícia se espalhou muito rápido e fez com que essa região começasse a ser frequentada pela população rica do Recife, que logo construiu ali casarões de veraneio. 

Foi um bairro predominantemente rural até o início da década de 1970, quando foi dividido em lotes, comprados pela classe-média, que construiu as suas casas e passou a ali morar. 

5. Ariano Suassuna era um típico morador de Casa Forte 

Ariano em sua casa (foto: Juscelino Moura/JC Imagem)

O escritor e dramaturgo Ariano Suassuna morava ali na Rua do Chacon, num casarão colonial de 1870 repleto de arquitetura e design armoriais.

As esculturas, os quadros e as porcelanas da casa preservam as cores fortes do maracatu, os personagens fantásticos do cordel; os traços típicos das xilogravuras; e os desenhos pré-históricos dos sítios arqueológicos do sertão. 

Juntos, esses objetos representam uma amostra da produção do Armorial, movimento artístico criado por Suassuna na década de 70 na tentativa de fazer com que a arte brasileira valorizasse as suas raízes.

A família mora há quase meio século na casa com fachada de azulejos brancos e azuis (presente do amigo e artista pernambucano Francisco Brennand), conservando os móveis antigos.

Ariano Suassuna com a esposa, Zélia, em casa (foto: Alexandre Belém/JC Imagem)

Nascido em 1927, em Taperoá (interior da Paraíba), Ariano radicou-se em Pernambuco ao ponto de se intitular "o paraibano mais pernambucano que existe".

As pérolas literárias O Auto da Compadecida (1957) e A Pedra do Reino (1971) consagraram o filósofo por essência e o escritor célebre, da Academia Brasileira de Letras, falecido em 2014, aos 87 anos. 

6. Três ex-governadores pernambucanos (parentes entre si) moraram em Casa Forte 

Eduardo Campos e o avô Miguel Arraes (foto: Arquivo pessoal)

'Casa Forte é um bairro muito família'. Você já ouviu essa frase? Ela se confirma quando constatamos que três dos ex-governadores de Pernambuco, ex-moradores de Casa Forte e os seus entornos, conservam parentescos entre si: Cid Sampaio, Miguel Arraes e Eduardo Campos.

O ex-governador Cid Sampaio (foto: Acervo JC Imagem)

Dona Célia de Souza Leão Arraes, mãe de Ana Lúcia Arraes de Alencar (ministra do Tribunal de Contas da União e ex-deputada federal, mãe do falecido ex-governador Eduardo Campos), era irmã da esposa do ex-governador Cid Sampaio, Dulce de Souza Leão Sampaio.

Logo, Eduardo Campos era sobrinho neto afim de Cid Sampaio e neto de Miguel Arraes (Dona Célia foi a primeira mulher de Arraes e faleceu em 1961. Depois, ele casou-se com Dona Maria Magdalena Fiúza Arraes de Alencar).

Outro parentesco: Miguel Arraes e Cid Sampaio eram concunhados porque as esposas de ambos eram irmãs.

Hoje, na praça do Monteiro, próximo à escola Silva Jardim, há dois edifícios em homenagem à família Sampaio. A casa onde morava o ex-governador foi mantida no edifício Cid Sampaio. Ao lado, também encontra-se o edifício Mendo Sampaio (pai do ex-governador Cid).

A família Campos permanece morando no Monteiro. 

E o ex-governador três vezes de Pernambuco, ex-prefeito do Recife e ex-deputado estadual e federal, Miguel Arraes, morava no Poço da Panela. Em 2016, a escola de samba Unidos de Vila Isabel homenageou o ilustre político pernambucano.

7. O Monteiro foi palco para o romance A Emparedada da Rua Nova, de Carneiro Vilela

(foto: Reprodução/A emparedada da rua nova)

As terras onde hoje se assenta o bairro do Monteiro, muitas vezes confundido com Casa Forte, fizeram parte do engenho Várzea do Capibaribe, ou engenho do Monteiro, cujo primeiro proprietário foi Pantaleão Monteiro.

O bairro nasceu do aparecimento de uma povoação, de clima aprazível, onde as famílias iam veranear no início do século 19. O seu apogeu ocorreu em meados do mesmo século, citado no romance A emparedada da Rua Nova, de Carneiro Vilela:

"A povoação do Monteiro, naquele ano de 1862, mostrava o aspecto brilhante de um arrabalde em plena efervescência de festa. As famílias mais gradas da cidade para ali haviam mudado a sua residência temporária e enchiam aquelas paragens com o ruído de suas alegrias, as alegrias dos seus divertimentos cordiais e repetidos".

8. Casa Forte faz parte da canção Leão do Norte, de Lenine

(foto: Diego Nigro/JC Imagem)

Isso a gente já contou no início da matéria. Mas agora, mais do que nunca, você vai lembrar os detalhes de como é bacana ser parte de uma vizinhança mameluca do Leão do Norte.

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