Por Gabriela Belém

Em 1975, nascia a Banca do Gordo, na Av. 17 de Agosto, uma relíquia da Casa Forte vintage, que permanece firme e forte até os dias atuais. 

Descobrimos alguns fatos sobre o empreendimento, de um único dono, o Gordo (que é magro), pra você. Conheça a história de Sérgio de Melo, há 42 anos proprietário de um verdadeiro patrimônio bairrista no coração de Strong House.

1. O 'gordo' é e sempre foi, na verdade, bem magro

(foto: Gabriela Belém/PorAqui)

O apelido nasceu na família, quando sete tios (por parte de pai) começaram a chamá-lo carinhosamente de "gordo", mas ele era e sempre foi magro. 

2. No início dos tempos, a banca vendia esmalte, xampu, 'creme rinse' etc

foto: Colaboração/Gordo

Que os anos 80 eram bem V!D4 L0K4 você já sabe. Mas quem lembra de banca de revista vender (porque não havia fiscalização) esmalte, itens de farmácia, xampú e o inesquecível "creme rinse"? Aliás, a marca Neutrox era uma das poucas opções pras madeixas oitentistas. Se você reparar no canto esquerdo (e centro) da foto, tais itens de perfumaria estão todos lá. 

Melo criou a banca porque, quando adolescente, o pai tinha um açougue no bairro de Beberibe. E havia um fiteiro perto dali. "O rapaz saía de lá e me pedia pra tomar conta. Aí eu disse: vou botar uma banca pra mim".  

3. O gordo é um típico morador da Casa Forte vintage

foto: Colaboração/Gordo

A foto diz tudo. Anos oitenta. Muro pintado com fusquinha e também por conta das eleições de Miguel Arraes pra governador (provavelmente em 1986). Mulher pelada na Playboy ao lado de crianças era suuuper de boa  . E os modelos dos chinelos e 'pisantes' da turma do Gordo? 'Radinho' de pilha no pé do ouvido também era um clássico.

Ex-morador do Poço da Panela, atualmente o Gordo mora na Rua Padre Lemos, em Casa Amarela. Já o neto (a criança ao lado dele na foto), ajuda a tomar conta do negócio da família até hoje.

4. Ele só folga UM DIA NO ANO TODO 

foto: Colaboração/Gordo

Isso mesmo. A banca só fecha no dia 1º de janeiro. Desde os primórdios, o Gordo é um cara simpático e pra lá de trabalhador. O negócio nunca fechou e lucra até hoje porque tem um proprietário deveras assíduo no local e de olho em tudo. Desde a época 80's style da foto. A banca abre às 8h30 e vai até a meia-noite. Mas pode ir também até as 3h.

5. O Gordo é torcedor do Náutico ferrenho

O Gordo adora aquela resenha futebolística e a tiração de onda entre os times locais. ´"Vem rubro-negro, alvirrubro, tricolor. Quando o Sport ganha, Ave Maria, passa um monte de gente gritando aqui na frente. Antigamente eu tinha uma bandeira do Náutico em cima da banca", afirma, vestido com a camisa alvirrubra, óbvio. 

6. No início, funcionava quase em frente ao atual Bar Real

foto: Colaboração/Gordo

Inicialmente a banca ficava na frente do Bar Real, ou melhor, no antigo Freguesia do Poço (essa só os moradores da época vintage lembram).  

Detalhe: no muro havia a propaganda das eleições de Marcus Cunha pra prefeito, com Cristina Tavares vice. Depois a banca passou para a frente do edifício Baraúna.

7. É mais que banca. É ponto de encontro. E 'salvação' de fim de noite, para muitos…

"Eu brinco que aqui é praticamente uma lojinha de conveniência". É comum ver, na madrugada, pessoas na banca tomando uma cervejinha por lá. "Quando Seu Antônio fecha, muita gente vai pra o Barchef. Aí passa aqui antes, já abastece e curte aqui um pouquinho", diz, enquanto rolava um forró pé-de-serra no rádio.

8. Patrimônio vivo de Casa Forte

foto: Colaboração/Gordo

Os primeiros clientes eram as crianças do colégio Mater Christi, que saíam de lá, pertinho, pra comprar figurinhas, conversar e 'tirar onda' sobre os fatos futebolísticos. 

A notícia da morte de Frank Sinatra, a época do Poupa Ganha. Por essas e tantas outras, a banca fez história e já é um dos nossos ícones da Casa Forte Vintage.

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