Depoimento anônimo de um morador do bairro*

Na hora eu fiquei muito calmo. Consegui agir de acordo com o "protocolo", digamos, numa situação como essa. Somente quando saí do carro, fiquei nervoso por conta do meu filho de dois anos, que, no momento do assalto, ainda estava dentro do carro. Assim que tudo acabou, após chegar em casa, eu fiquei em estado de choque. 

O assalto é algo muito rápido, mas o choque é muito grande. Fiquei muito preocupado com o meu filho, em que pese não ter havido nenhuma violência, graças a Deus. Fiquei preocupado com a questão psicológica dele também, no decorrer das horas e dos dias, mas até agora está tudo tranquilo. Na hora, ele também ficou muito calmo, ainda bem, não percebeu muito bem o que estava acontecendo.

Eu estava saindo com o carro da garagem do meu prédio, ia para casa do meu primo, andei 10 metros na rua e já avistei os três assaltantes com armas na minha direção. Dois estavam armados – e um, não. Ao avistá-los, ainda um pouco distante, já abri o vidro do carro e entreguei a carteira e o celular. 

Mas eles queriam o carro. Nessa parte, fiquei muito nervoso, porque meu filho estava dentro do carro. Olhei para baixo na hora em que eles chegaram mais perto. A primeira coisa que eu falei foi para pegar logo o meu filho. Eles mandaram retirá-lo rapidamente e ainda pegaram a minha aliança e me mandaram tirá-la com pressa, gritando.

Eles começaram assaltando as pessoas no Mercadão Sanduicheria, depois outras duas pessoas na Rua Marquês de Tamandaré até estacionarem um carro que havia sido roubado na semana anterior, na rua lateral ao meu prédio. 

Fui à delegacia ontem (quinta-feira, 9), mas não consegui reconhecê-los (eu e nem outras quatro vítimas).

Abandono – Há uma sensação de abandono na rua. Acho que o que precisa ser feito é melhorar a questão da iluminação pública e aumentar a circulação de viaturas no local. No dia do assalto, por exemplo, fui prestar queixa na Delegacia de Afogados. De lá [Afogados] até o Poço da Panela, observei bem e não tinha um policial nas ruas. Aí os assaltantes acham que podem fazer tudo. Não temos policiamento por ali.

Mudei os meus hábitos, sim, após às 19h eu não quero, a princípio, nem sair mais de casa com os meus filhos de carro, por ali. Vou ter muito cuidado para sair da minha garagem, da minha rua. O nosso condomínio está se organizando com os prédios vizinhos para tomar alguma atitude, já estamos marcando uma reunião.

É uma barra, né? A cidade parece que voltou ao que era há 15 anos, uma época em que se roubavam muitos celulares, e a gente teve esse retrocesso. Teve o lado da polícia que conseguiu capturar os bandidos, mas isso se deu mais à questão da imprensa e das mídias, que impulsionaram essa aceleração da captura. Era bom que isso fosse todo dia, né? Independentemente de quem esteja envolvido e em qualquer bairro da cidade. 

*O advogado preferiu não ter a identidade dele e do filho reveladas por questões de segurança.


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