Durante cinco anos, o músico Alysson Magno morou em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, mas sempre nutriu a vontade de se mudar para o Poço da Panela, na Zona Norte, e também de abrir um café. Paralelo a isso, ele, que é filho de índio xukuru, começou a resgatar a sua origem indígena. Assim começou a história da Oca Xukuru, um misto de café e espaço cultural que funciona desde o início de julho no número 30 da Rua Álvaro Macedo, no Poço da Panela.

Acolhedor e intimista, o Oca é quase vizinho ao ateliê da artista plástica Clarissa Garcia, que fica na mesma calçada da Venda de Seu Vital. O local tem atraído vários artistas e moradores do bairro para tomar aquela cerveja gelada no fim do dia e também para reuniões informais.

Foto: divulgação

Se a fome bater, a casa tem um cardápio de petiscos variados, com caldinho, tábua de frios, empanadas, entre outros. Um das indicações do proprietário é o cuscuz branco feito de arroz, recheado com carne de sol e queijo de coalho e também a tapioca tradicional.

Mas o que realmente chama a atenção do Oca é o visual e a “carga de energia” que o proprietário fez questão de imprimir na decoração. “A religião do índio é a natureza”, diz Alysson, justificando a proposta estética do lugar.

Foto: divulgação

Mesas feitas de resíduos florestais, plantas, objetos e materiais autenticamente indígenas compõem o ambiente, que também é decorado com fotografias feitas na Serra do Ororubá, em Pesqueira, principal reduto xukuru do Estado.

“Eu precisava encontrar uma porta para que as pessoas tivessem acesso a essa energia e essa cultura sem eu precisar ficar explicando. Tem porta melhor do que a visão?”, diz o proprietário, que toca o negócio junto com sua esposa, Shirlene Mafra, mais conhecida como Shica.

“Além de receber os amigos e fazer novas amizades, o principal intuito do café é atrair a atenção das pessoas para a história do povo xukuru e das outras etnias indígenas que existem em Pernambuco. Nada aqui é figurativo, é preciso entender a carga do ambiente”, explica.

Foto: divulgação

Alysson pediu permissão ao cacique de sua aldeia para utilizar os elementos da cultura xukuru no conceito do espaço. “Ele passou um tempo pra entender. Achei que fosse receber uma resposta negativa, mas pelo contrário, fui incentivado”, comemora.

Nas sextas e sábados, a Oca tem apresentações musicais. Nesta sexta (25),  o espaço vai receber o projeto de vinil Salada RPM, com os DJs Vitrola e Rastonauta tocando clássicos jamaicanos e pérolas essencialmente brasileiras, respectivamente. O couvert vai custar R$ 10.

Serviço
Oca Xukuru (Rua Rua Álvaro Macedo, nº 30, Poço da Panela)
Horário de funcionamento:
De quinta a domingo, das 17h às 23h