Por Gabriela Belém

"A minha juventude se foi para sempre  ". É exatamente isso o que você vai pensar ao se deparar com as memórias saudosistas de uma Casa Forte que não volta nunca mais. Reveja com a gente 11 fatos que irão mexer deep inside com os genuínos moradores das 'antigas' de Strong House:

1. A cebola recheada com charque do restaurante Água de Beber

(foto: Acervo JC Imagem)

O restaurante Água de Beber funcionou por muitos anos no local onde hoje se encontra o Fondue Casa Forte, ali no comecinho da praça. Um dos primeiros centros gastronômicos de excelência no bairro, servia uma cebola recheada com charque completamente inesquecível.

2. Come-come, o primeiro fast-food 'raiz' do bairro

(foto: Reprodução/Internet)

Nos anos 90, antes mesmo da chegada da rede McDonald's na cidade, os sanduíches que faziam mais sucesso na Zona Norte eram os da Come-come, cuja primeira loja se instalou num trailer, onde hoje funciona o estacionamento da Livraria Módulo.

O estabelecimento vivia lotado. E a famosa combinação "come milho" (com o suculento molho de maionese e milho em conserva) e o milk-shake de chocolate são memórias afetivo-gastronômicas que todo morador nascido nos anos 80/90 terá consigo até o fim dos seus dias.

3. O terreno da Rádio Jornal do Commercio antes de virar Hiperbompreço e Walmart

(foto: Reprodução/Rádio Jornal do Commercio)

Antes de virar o Hiperbompreço (e hoje em dia o Walmart), havia um grande terreno, misterioso e abandonado no local, onde outrora havia funcionado os primórdios da Rádio Jornal do Commercio, a emissora do "Pernambuco falando para o mundo".

A chegada da Rádio Jornal do Commercio ao Recife foi cercada pela suntuosidade de um veículo destinado às elites, como poucos no Brasil da década de 1940. Não foram economizados investimentos em equipamentos modernos que levassem a voz de Pernambuco aos quatro cantos do mundo.

4. Andar de bike pelo bairro sem medo de ser assaltado (a)

(foto: Michael Gada/Pixabay)

Andar de bicicleta sem ser assaltado é praticamente um artigo de luxo pra o morador de Casa Forte hoje em dia. A saudade bate forte quando lembramos que a nossa liberdade está ameaçada por conta do avanço da onda de violência nos últimos dois anos nos entornos da vizinhança.

5. A efervescência política de esquerda na Praça de Casa Forte

Imagem da praça de Casa Forte nas últimas eleições, em 30 de outubro de 2016 (foto: Fernando da Hora/JC Imagem)

Nos anos 90, dia de eleições na Praça de Casa Forte significava paixão política. Grande parte da população costumava apoiar os partidos de centro-esquerda na cidade, uma espécie de referência e identidade entre os antigos moradores.

Com a atual crise política, novas regras impostas pelo TRE (que proíbe aglomeração de pessoas com roupas padronizadas) ou por puro desencanto, nas últimas eleições, em 30 de outubro de 2016, viu-se uma praça apática politicamente. Um verdadeiro contraste com a efervescência, de pelo menos, 20 anos atrás.

6. Lembra das frases "Olha o japonês!" ou "Olha a xeeeira, xerou!!!"?

(foto: Acervo Muhne)

Os primeiros mercadores ou vendedores ambulantes descendem provavelmente dos “escravos de ganho”, ou seja, escravos que viviam pelas ruas prestando serviços ou comercializando produtos caseiros, auferindo dinheiro para os seus donos (de acordo com texto no Museu do Homem do Nordeste).  É o caso do amolador de tesouras, do alfaiate, do fotógrafo da máquina de lambe-lambe, do vendedor do doce japonês etc. 

Falando nisso, a frase mais vintage que um típico morador de Casa Forte já pode ter escutado é: "Japonêêêês! Olha o japonêêêês!!!". E todo mundo corria pra rua pra comprar a deliciosa iguaria, também apelidada de "quebra-queixo", lembra?

Os vendedores de macaxeira também anunciavam a compra do produto porta a porta, até meados dos anos 90, início dos anos 2000. Impossível não lembrar do "olha a macaxeiraaaaa! xêroooou!!!".

7. A eterna banca de revistas da avenida 17 agosto

(foto: Google Street View)

Se você frequentava Casa Forte nos anos 80, ainda deve ficar abismado (a) com a resistência vintage da banca mais antiga da vizinhança. 

Era o programa favorito de muitas crianças aos domingos: passar ali pra comprar os gibis da Turma da Mônica, Zé Carioca, Tio Patinhas etc. Ou as figurinhas dos álbuns oitentistas, como o "Happy Day", com seus unicórnios, ursinhos e palhaços coloridos. 

"Na época, a gente podia até estacionar na 17 de agosto pra comprar jornais e revistas sem levar buzinada ou ser xingado", revive Nuno Fonseca Wanderley.

(foto: Reprodução/Mercado Livre)

(foto: Reprodução/Mercado Livre)

8. A sorveteria Beijo Frio, na praça, point da paquera na festa da Vitória Régia

Festa da Vitória Régia (foto: Alexandre Severo/Acervo JC Imagem)

"Era de lei tomar aquele copão de sete bolas lá, após almoçar no Água de Beber", lembra Nuno Fonseca Wanderley. "Ali funcionava também o point da 'cocotagem' e de paquera dos estudantes do colégio Damas e São Luís na festa da Vitória Régia", completa.

9. Pintar as ruas da praça e 'tomar banho de bombeiro' na Vitória Régia

Festa da Vitória Régia (foto: João Carlos Lacerda/Acervo JC Imagem)

Falando na festividade, quem nunca pintou as ruas da praça de Casa Forte e tomou banho de mangueira dos bombeiros no domingo da Vitória Régia não viveu uma infância oitentista em Casa Forte. Este ano a festa completa 39 anos.

10.  A sorveteria Frisabor na 17 de agosto

(foto: Acervo JC Imagem)

Outra sorveteria que fazia sucesso na época raiz de Strong House era a Frisabor, ao lado da banca de revistas, onde hoje há uma loja de artigos para festas. 

Os sorvetes das nossas frutas tropicais nordestinas consagraram a marca, que cresceu e se tornou uma referência no ramo de sorvetes da região, há cerca de 60 anos no mercado.

11. A padaria Mimosa, também na 17 de agosto

"A padaria Mimosa ficava numa casa do outro lado onde funciona a Venda de Seu Antônio", diz Juliana Coutinho.

"Fiquei muito tempo lá na fila do leite. Anos 80 feelings. Era uma época em que faltavam produtos –e a gente ia pegar a ficha de manhã cedo na padaria Mimosa. Sempre fui madrugador e essa tarefa ficava para mim lá em casa", conta Eduardo Amorim.

E você? O que mais lembra e sente saudade de Casa Forte antigamente? Conta pra gente.

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