Personagem importante do Recife e do bairro do Poço da Panela, o jovem abolicionista e político José Mariano Carneiro da Cunha é lembrado até hoje por uma estátua localizada no coração do bairro da Zona Norte. A escultura fica em frente à casa onde ele morou junto com sua esposa, Olegaria Carneiro da Cunha, mais conhecida como Dona Olegarinha, na Rua Antônio Vitrúvio.

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Juntos, eles prestaram inúmeros serviços à causa abolicionista. A casa onde viveram no século 19, que fica ao lado da Igreja de Nossa Senhora da Saúde, era um refúgio para os negros.

Dona Olegarinha recolhia os escravos das ruas e os escondia em sua casa para, de lá, embarcarem, altas horas da noite, em botes pelo Rio Capibaribe, em direção ao Ceará, onde a abolição já havia sido proclamada.

Casa onde moraram José Mariano e Dona Olegarinha – Foto: Lucia Passos

Não é por acaso que, junto da estátua do seu marido, está a imagem de um negro utilizando correntes quebradas nos pulsos, simbolizando a vitória contra a opressão.

A contribuição de José Mariano Carneiro da Cunha para o fim da escravidão se deu, principalmente, na esfera política. Além de fundar o jornal A Província, de filosofia abolicionista, foi fundador da sociedade secreta Clube do Cupim, que defendia os escravos fugidos.

Carneiro da Cunha também foi deputado federal e estadual em várias legislaturas. Ele ingressou na Faculdade de Direito do Recife com apenas 16 anos, tendo como colegas de turma ninguém menos que Joaquim Nabuco, Ruy Barbosa, Herculano Bandeira e Castro Alves. Segundo Gilberto Freyre, José Mariano foi “o pernambucano mais amado das multidões.”

Busto de João Mariano no Largo do Poço

Engajada na luta abolicionista junto com o marido, Dona Olegarinha era conhecida como “mãe do povo” e “mãe dos pobres”. Conta-se que ela vendeu grande parte de suas joias, herança de família, para comprar cartas de alforria para libertar escravos. Quando morreu de gripe em 1898, reza a lenda que muitos ex-escravos se suicidaram de tristeza, envenenando-se ou atirando-se no Capibaribe.

Além de abrigar escravos fugidos, a casa de José Mariano e Dona Olegarinha, no Poço, foi palco de reuniões de organizações em favor da abolição. Hoje, a casa está sob responsabilidade da Igreja de Nossa Senhora da Saúde.