Na última segunda-feira (13), o dia foi de tristeza para alguns moradores do bairro Parnamirim, vizinho-irmão de Casa Forte, na Zona Norte do Recife. O motivo: a Praça José Vilela amanheceu com todas as suas mudas frutíferas cortadas.

“Queria fazer dela um pomar pro meu bairro. Jabuticaba, caju, pitomba, abacate, acerola, pitanga, carambola e um baobá. Plantei todas longe de calçadas. Não consigo imaginar o motivo dessa violência!”, desabafou o morador Bruno Lopes no seu Facebook. 

“As plantas não eram mais minhas, eram de todos. Em época como essa, descia toda noite pra aguar todas. Meu lixo orgânico eu usava também nelas. Através delas conheci vizinhos de outros prédios, me aproximei de moradores de rua, que também começaram a cuidar delas. Era o nosso pomar. Era mais verde pra nossa cidade, talvez uma fruta que alguém no futuro pudesse chupar, comercializar.”

Placas de sinalização colocadas por Bruno foram derrubadas na Praça José Vilela – Foto: Bruno Lopes/Facebook

Sustentável

Bruno é morador do prédio Tejucupapo, na Avenida 17 de Agosto (em frente à livraria Módulo), que há cerca de dois anos vem dando um exemplo de sustentabilidade no bairro. Lá, os moradores mantém uma sementeira improvisada na garagem do prédio para uso colaborativo.

A cobertura também foi transformada num espaço de cultivo e de convivência. “Vem muita gente de fora brincar aqui na cobertura, plantam um pouco. É um espaço onde as pessoas ficam à vontade pra relaxar e se encontrar. A gente distribui as mudas pra quem quiser”, diz o morador, que também é engajado na horta comunitária de Casa Amarela, viabilizada pelo Instituto Casa Amarela Saudável e Sustentável (ICASS).

Foto: Facebook/Bruno Lopes

As mudas são trazidas do Sítio Santo Antônio, que Bruno mantém no município de Macaparana, interior do Estado. “Me divido entre lá e cá”, conta ele, que já recebeu até uma turma do Colégio Militar para conferir o processo de compostagem feita no prédio, devido a uma feira de ciências.

“Aqui se recicla tudo, não se perde nada. Toda a terra que usamos nas mudas vem do nosso lixo reciclado”, conta ele, que mantém a empresa Baobarba, especializada em miniortas. Quem se interessar em adquirir um de seus produtos, pode ir na página dele no instagram: @baobarba ou solicitar os pedidos pelo telefone (081) 99194-0117 ou até pelo email baorba@gmail.com.

Cobertura também foi usada para cultivo – Foto: Marina Suassuna/PorAqui

Conexão

A iniciativa de Bruno cria uma conexão entre a vizinhança e um senso de comunidade no bairro. Quando ele traz os produtos de Macaparana, faz questão de compartilhar e distribuir entre os moradores do prédio, os guardadores de carro e demais comerciantes da área.

“A planta é apenas um ser vivo que nos leva a conhecer muitas pessoas. O bairro acaba ficando mais seguro porque existe essa ligação entre a gente. Tenho confiança em todo mundo. Todos me conhecem pelo nome, ando de madrugada, vejo sempre as mesmas pessoas. A cidade se tornou mais segura pra mim dessa forma, perto de casa”, aponta.