Histórias de paternidade são o tema da exposição multimídia da fotógrafa Andréa Leal que começa nesta sexta-feira, às 16h, na Livraria Praça de Casa Forte. Meu Pai, Meu Herói é uma mostra de fotos em que o espectador pode, usando um aplicativo para celular, conferir depoimentos em vídeo de cada um dos 14 pais fotografados.

A exposição fica aberta até o dia 31 de agosto. Entre os pais retratados com seus filhos está o repórter do PorAqui Geraldo Lélis, pai de Clarice, de dois anos. Ele faz um diário da paternidade no Instagram @sosendopai.

LEIA TAMBÉM:

Homem também cuida! Paternidade ativa é discutida na Várzea neste sábado (11)

Exposição segue até 31 de agosto. Foto: Andréa Leal/Divulgação

“Nossos poderes estão na cabeça das crianças. De acordo com a reação dela, me sinto mais forte, sinto o poder de acalmá-la. Às vezes, sem precisar falar nada, apenas com a presença. Me sinto encorajador, presente para tudo o que ela precisar, explicando, alertando, ensinando”, conta Geraldo, no material da exposição.

A curadoria da mostra é do jornalista Fernando Alvarenga, criador do blog Pai de Verdade. A ideia é que as imagens formem um panorama que estimule a reflexão sobre a participação dos pais na criação dos filhos.

Na abertura da exposição, vai ter apresentação de chorinho com Beto Bandolim. A entrada é gratuita e a Livraria da Praça de Casa Forte fica no número 454.

Confira abaixo o resumo das histórias de cada um dos pais fotografados, nos  textos (editados) divulgados pela mostra:

Anderson Nascimento da Silva – No dia 21 de julho de 2017, Anderson, de 31 anos, teve que fazer o parto do filho, orientado por telefone pelos bombeiros. Quando a equipe chegou, Arthur já havia nascido. Mãe e filho passavam bem e foram levados para a unidade de saúde, fora de risco, onde foi cortado o cordão umbilical. “Já comecei sendo pai aprendendo que posso ser muitas coisas, inclusive parteiro”, completa Anderson.

Mohab Henrique – Tão impactante quanto a informação de que centenas de crianças foram vítimas da Síndrome Congênita do Vírus Zika em Pernambuco é o resultado de pesquisas que mostram que a grande maioria dos pais as abandonaram após o nascimento. Mohab Henrique é  exceção. Pai de Bernardo, de dois anos e meio, portador da síndrome, e de Mohany, de 5 anos, ele luta contra o preconceito. “Enquanto ele não puder andar, vou andar por ele, enquanto não puder falar, vou falar por ele. Tem muitos pais que não querem enxergar essa responsabilidade, mas estão perdendo muito”.

Fábio Silva – Empreendedor social, Fábio quer passar para as filhas Sofia e Nina o comprometimento  com as pessoas mais humildes. “Quero que elas saibam que vou errar e elas vão me perdoar e que elas também vão errar e que vou perdoá-las e vamos viver em família”.

Gabriel Fernandes – O cientista da computação , de 37 anos, titubeia ao responder que poderes adquiriu com a paternidade. A esposa Taciana dispara emocionada: “ele aprendeu a salvar a vida de uma pessoa”. O caçula Daniel sofre de uma doença genética grave, a atrofia muscular espinhal. O diagnóstico, os dias de UTI, as emergências, são exemplos da luta deste pai que, ao lado da família, realizou a campanha @amedaniel  e arrecadou R$ 960 mil para custear o tratamento e conquistou na Justiça o direito do plano de saúde arcar com a compra dos medicamentos, avaliados em R$ 3 milhões apenas no primeiro ano de terapia.

Jéfter Campos – No dia em que completou 36 anos, o empresário Jéfter Campos teve a certeza de um presente garantido até o final da vida: a filha Elis, que nasceu na mesma data. “Pra mim, o pai herói foge da curva do que é o patriarcado. Você se desdobra para dar o melhor e, às vezes, o melhor é apenas estar presente. Espero que ela se orgulhe de ter um pai que fez o seu melhor”.

Ricardo Furquim – O corretor de 56 anos é pai de cinco filhos. Experiente e cuidadoso, sempre fez questão que os filhos praticassem ioga e de preparar para todos eles a mesma receita de iogurte que aprendeu há 40 anos. “A gente se torna mais gente que nunca”, diz, sobre a paternidade.

Gustavo Pessoas – Quando perdeu o pai, vítima de um enfarte fulminante, o mais difícil para ele foi o sepultamento, quando cada pessoa lhe contava um motivo para agradecer ao seu pai. “Quero ser metade do que ele foi e deixar para meus filhos, independente de dinheiro, bens, quero ser exemplo. Quero que eles saibam que não fiz nada melhor na vida do que isso”.

Ricardo Chacon – Quando descobriu que ia ser pai, o músico sabia que estava perdendo o próprio pai, doente. O avô morreu quando Lis tinha 4 meses de vida. “Não tive tempo de ficar triste. Eu estava chorando, olhava para a minha filha e ela sorria”, lembra. Banho, alimentação, passeios, brincadeiras fazem parte da rotina dos dois. “Antes achava que tinha todo o tempo do mundo e achava que não podia fazer nada. Hoje, com pouco tempo, faço muito mais coisas”, compara.

Geraldo Lélis – Ao escutar o coração de Clarice pela primeira vez, sentiu-se pai. Era um momento sonhado desde a adolescência. No dia do parto, pegou a filha nos braços, mas o momento era de euforia. “No dia seguinte, fiquei só com ela e a gente conversou pela primeira vez. Disse que ela estava passando por um momento de transição, que ela ficasse tranquila e que iria estar junto dela para sempre. É meu esforço diário”, conta o jornalista de 32 anos, que não se vê como um herói: quer que Clarice, hoje com 2 anos, o veja sempre como amigo inseparável, como um porto seguro.

Rodrigo Moura – Mauro é o segundo filho deste funcionário público de 29 anos. Ele e a esposa perderam o primeiro bebê. A segunda gravidez foi então muito desejada. Em meio ao primeiro trimestre da gravidez, veio vírus da Zika. O diagnóstico da microcefalia foi chocante. O amor pelo filho, porém, vai muito além da doença. “A gente tem que viver cada dia. Não penso nos desafios”, ensina. Hoje, se derrete quando ouve o filho chamá-lo de “pa”. “Qualquer ganho é motivo de felicidade”, diz.

João Paulo Farias –  Ele ainda não é pai biológico, a esposa está grávida. Mas tem cerca de 50 filhos, de praticamente todas as faixas etária: crianças, adolescentes, jovens e adultos. Pastor, formado em teologia, publicidade e comunicação social, não foi indiferente à realidade da comunidade carente vizinha ao local de trabalho. Há dois anos concebeu o projeto Aurora, que ensina basquete como forma de tirar a comunidade das drogas, da violência, por meio da mudança de postura, valorização e autoestima.

Everson Teixeira – O repórter de 32 anos sempre quis ser pai cedo. Tornou-se o pai de Ian aos 23 anos, mas aos 17 conheceu o enteado Rafael, de 4 anos de idade. Começava seu aprendizado na função que mais ama: a paternidade. “Era um estágio sem chance de errar”, enfatiza.

Leonardo Ximenes Júnior – para este músico e administrador de 42 anos, pai de Caio, de 9 anos, a paciência é o superpoder que adquiriu com a paternidade. Para ele, ser pai é uma autodescoberta o tempo todo. ” Você vai se expandindo, se misturando no outro. É incrível”.