Um dos nomes políticos mais representativos da história recente brasileira, principalmente no que tange ao golpe militar de 1964 (em 1º de abril, completos sábado passado), Gregório Lourenço Bezerra foi um dos maiores defensores da democracia no Brasil. E ele viveu um dos piores dias da sua vida pelas ruas de Casa Forte, na Zona Norte do Recife. 

Foto de Gregório Bezerra no quartel do atual CPOR, em Casa Forte, dias após ser torturado em 1964 (Divulgação/Livro Memórias)

Gregório levantou-se contra a destituição e prisão do governador de Pernambuco na época, Miguel Arraes, e foi preso justo no dia 1º de abril ao tentar incentivar os camponeses e sindicatos rurais a pegarem armas para lutar contra o regime.

Acabou sendo levado para o quartel onde hoje funciona o CPOR, em Casa Forte, no dia seguinte. Foi recebido a pancadas pelo comandante da unidade, o coronel Darcy Ursmar Villocq Vianna, mais conhecido como coronel Villocq.

Ele viria a ser o responsável por um dos momentos mais marcantes dos primeiros dias da ditadura, há 53 anos: a tortura e o arrasto do militante comunista com cordas amarradas ao pescoço pelas ruas do bairro, incitando o linchamento de Gregório. 

(crédito: Arquivo/Agência Brasil)

Em 1969, foi solto em troca do embaixador americano Charles Elbrick, sequestrado por um grupo de oposição armada. Bezerra integrou o grupo de presos políticos que foram liberados, em troca do embaixador. Ficou cerca de dez anos exilado na antiga União Soviética, depois de passar um curto período em Cuba. Com a anistia, em 1979, voltou ao Brasil.

Nas eleições de 1982, candidatou-se à Câmara dos Deputados por Pernambuco, na legenda do Partido do Movimento Democrático Brasileiro.

Gregório e Chico Buarque. Imagem ilustrativa da camiseta foi a usada na campanha de 1982 (foto: Arquivo Pessoal/Aprígio Fonseca)

Faleceu no dia 21 de outubro de 1983, em São Paulo. Era casado com Maria da Silva Bezerra, com quem teve dois filhos.

História

Gregório Lourenço Bezerra nasceu no Agreste de Pernambuco. Aos quatro anos, começou a trabalhar na lavoura de cana-de-açúcar para ajudar a família. Aos nove anos, já era órfão dos pais. Permaneceu analfabeto até os 25 anos. Foi preso quatro vezes, passando 22 anos da sua vida atrás das grades –por motivos exclusivamente políticos.

A primeira prisão (cinco anos de detenção) ocorreu em 1917, quando participava de uma manifestação de apoio à Revolução Bolchevique e às primeiras ondas de greve geral por direitos trabalhistas no Brasil. Liderou, em 1935, o levante militar promovido pela Aliança Nacional Libertadora (ALN), movimento também conhecido como "Intentona Comunista".

Com o fim do Estado Novo, foi anistiado e elegeu-se deputado federal constituinte em 1946, por Pernambuco, na legenda do PCB, sendo o mais votado do estado. Teve seu mandato cassado em 1948, juntamente com todos os parlamentares comunistas. Viveu na clandestinidade por nove anos.

Antes de morrer, Bezerra declarou: "Gostaria de ser lembrado como o homem que foi amigo das crianças, dos pobres e excluídos; amado e respeitado pelo povo, pelas massas exploradas e sofridas; odiado e temido pelos capitalistas, sendo considerado o inimigo número um das ditaduras fascistas".

Um lutador, sem dúvidas, que teve, infelizmente, um dos piores dias de sua vida sendo humilhado e torturado pelas ruas do nosso bairro. Uma parte da nossa história dolorida de contar, mas que precisa ser lembrada para que os princípios democráticos sempre prevaleçam em nosso País. Tortura nunca mais.


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