Explorando os efeitos psicossociais da violência urbana, Pedro Severien – morador e amante de Casa Forte -, 39 anos, estreia nacionalmente seu primeiro longa-metragem, Todas as cores da noite. O lançamento será no Recife, no Cinema São Luiz, no dia 23 de março. 

A sessão será às 19h30, com ingressos limitados (500 lugares) e disponibilizados para venda 1 hora antes da abertura.

Autor de curtas premiados, como Canção para minha irmã (2012) e Loja de répteis (2014), em Todas as cores da noite Pedro apostou no mistério, com elementos do horror e do fantástico para falar sobre "as marcas do desafeto" que caracterizam as relações sociais contemporâneas, na perspectiva de uma classe média enclausurada em redomas, que tenta blindar-se do desconhecido.

(foto: Beto Martins)

Pedro conta que viu muito da transformação de Casa Forte, com destaque para a verticalização do bairro, e nutre pelo local onde mora um misto de apego – ele cita o rio, a Praça de Casa Forte, o Parque Santana – e de desgosto pela realidade atual.

Questionado sobre como essa relação influencia seu trabalho, ele diz que "tudo isso me ajudou a entender a cidade como um espaço coletivo. Essa mudança desordenada me aproximou de movimentos sociais, como o Ocupe Estelita".

Sinopse – Em Todas as cores da noite, a ação se passa em um apartamento de luxo à beira-mar, onde Iris (Sabrina Greve) e sua amiga de infância Tiara (Giovanna Simões) – meio fantasma da trama, meio alter ego da protagonista – precisam lidar com uma morte inesperada, capaz de reconectá-las ao passado. 

A presença de Tiara, na verdade, se dá pela narração de Iris, que busca uma saída para o impasse no apartamento, que pode destruir reputações e derrubar máscaras sociais. Lá também estão Elga (Sandra Possani), a empregada, e Fernanda (Brenda Lígia), amiga da anti-heroína.

(foto: Beto Martins)

O longa recebeu o Prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular no último Festival de Cinema de Vitória (ES) e rendeu dois prêmios de Melhor Atriz para Sabrina Greve nos festivais de Triunfo e Belo Jardim (PE). Mais do que grandes plateias, Pedro Severien está interessado na formação de novos públicos, novas linguagens.

Performance –  A estreia contará com performance das atrizes Sandra Possani, Brenda Ligia, Giovanna Simões e do ator Rômulo Braga,  como um prólogo do filme, que constrói uma dramaturgia intimista com a linguagem híbrida do cinema, da literatura e do teatro.

Apresentado antes da sessão, o ato cênico promete introduzir o espectador no imaginário paranoico dos personagens criados por Severien, que batizou a performance de O circuito dos desafetos.

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