Desde fevereiro de 2017, os moradores de Casa Forte, na Zona Norte do Recife, estão vivendo um novo cenário em relação à segurança do bairro. Segundo dados oficiais, 20% dos crimes violentos contra o patrimônio (CVPs) diminuíram na região depois que o grupo de segurança comunitária Casa Forte Mais Seguro entrou em ação. Os CVPs envolvem todo tipo de roubo: transeuntes, veículos, bancos, residências, etc.

A iniciativa é um exemplo de colaboração cidadã, que partiu do empresário e morador do bairro Yves Nogueira. Ele criou o grupo no WhatsApp com o intuito de aproximar e engajar os moradores na luta contra a violência, auxiliando o trabalho do poder público.

O contato pela rede tem gerado encontros presenciais, reuniões e caminhadas regulares pelo bairro para identificar as principais demandas de segurança pública no bairro. Hoje, o grupo totaliza quatro caminhadas por mais de 63 ruas, nas quais foram identificadas quase cem oportunidades de melhoria.

Moradores se encontram regularmente para discutir as demandas de segurança no bairro.

Ações novas surgem a cada dia e, de forma ordenada, são levadas às autoridades competentes para a viabilização e implementação. “Se houve um assalto, tentamos pegar as imagens das câmeras, compartilhamos no grupo e acionamos as autoridades policiais”, explica Yves.

“A ideia do grupo não é crucificar a instituição A ou B, muito menos o servidor C ou D. Mas sim unir cidadãos, Polícia Militar e Civil, Prefeitura do Recife, Governo do Estado, sociedade civil organizada, empresários e tecnologia para vencermos a luta contra a violência”, explica.

Quase 200 integrantes compõem hoje o grupo Casa Forte Mais Seguro, que inclui não só moradores como também comerciantes e proprietários espalhados em 106 estabelecimentos de Casa Forte e região, além de representantes do poder público. A cada dois meses, são feitas reuniões de revisão de resultados e novas ações com o 11º Batalhão da Polícia Militar.

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Balanço

Para Yves, o maior saldo tem sido ver as pessoas engajadas e caminhando mais pelo bairro, ocupando ruas e praças. “Segurança é uma questão de sensação. Tá muito claro pra gente que quanto mais as pessoas estiverem na rua, menos espaço pra bandido. Não podemos viver aumentando cercas e muros e colocando grades e deixando as ruas desertas. Sempre que posso, evito tirar o carro da garagem e vou a pé lanchar com meus filhos, visitar parentes, resolver compromissos”, diz.

Uso do espaço público é uma das formas de combater a violência no bairro

Outra mudança, segundo o empresário, foi a melhoria da iluminação em Casa Forte. Durante as caminhadas, eles aprenderam a identificar os postes a partir da numeração, o que tem facilitado a abertura de chamados na Emlurb. Também descobriram que uma das causas do problema de iluminação era a falta de poda das árvores.

“As árvores precisam ser podadas pra que os postes não tenham os fios danificados e possam cumprir o seu papel de iluminar a rua, mas tem que haver uma poda responsável. Isso tem sido um aprendizado muito grande”, comenta.

“Uma poda mal feita interfere na iluminação e consequentemente deixa a rua mais escura e mais insegura. Por outro lado, a poda excessiva é ruim porque Recife é uma cidade muito quente e precisamos de árvores na rua. Existe um limite que precisa ser respeitado.”

Próximos passos

Outra iniciativa do grupo que está em prática é o mapeamento da condição das câmeras de segurança privadas. O objetivo é descobrir quais estão funcionando, se têm alta resolução e se estão posicionadas no ângulo correto, além de implantar mais câmeras de alta resolução nos prédios e quadras.

“Uma preocupação do grupo tem sido a qualidade e resolução das imagens, principalmente das câmeras que apontam pra calçada. Muitas vezes, elas foram colocadas há muito tempo, estão mal posicionadas ou com a tecnologia ultrapassada, prejudicando a qualidade das imagens e consequentemente o trabalho da polícia. É importante, durante o registro de um boletim de ocorrência, que haja imagens com boa qualidade”.


Moradores durante a segunda caminhada realizada pelo grupo

Também está sendo estudada uma tentativa de integração dessas câmeras. A ideia é disponibilizar as imagens de todas as câmeras privadas do bairro numa plataforma para o morador acessar pelo celular e poder monitorar a segurança do seu próprio bairro, da mesma forma que um porteiro tem acesso ao painel de câmeras de um prédio.

“A ideia é começar fazendo isso numa rua, depois passar para um quarteirão inteiro e ir ampliando aos poucos. É algo totalmente possível tecnicamente”, explica Yves, que trabalha com tecnologia da informação há 23 anos.

O grupo Casa Forte Mais Seguro é de livre adesão e saída. Para fazer parte, é necessário se identificar com nome e sobrenome, além do nome do edifício onde reside (rua, caso resida em casa) e/ou estabelecimento comercial que representa. Basta entrar em contato com Yves Nogueira pelo telefone e WhatsApp (081) 99626-6666.