Era dezembro de 1985 quando o Museu Murillo La Greca foi inaugurado no bairro de Parnamirim, na Zona Norte do Recife. Desde lá, a instituição está disponível ao público com exposições, lançamentos e eventos culturais, e também como fonte de estudos para professores, alunos e pesquisadores. Mas você sabe, de fato, quem foi Murillo La Greca?

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Filho de imigrantes italianos, Murillo La Greca foi um importante pintor e professor pernambucano nascido no município de Palmares, interior do Estado.

Uma de suas grandes contribuições foi ter participado do movimento da criação da Escola de Belas Artes de Pernambuco, onde foi pioneiro no Nordeste a implantar e ministrar a disciplina Desenho de Modelo Vivo e também da modalidade de curso livre, em que qualquer pessoa podia se inscrever, mesmo sem ter vínculo com a escola.

Registrado como Vicente La Greca, ele resolveu incorporar o nome Murillo por influência do pintor Bartolomé Esteban de Murillo.

O pintor Murillo La Greca – Foto: Reprodução

Ao longo de sua trajetória, Murillo La Greca conviveu com bons pintores em suas viagens pelo Brasil, como Cândido Portinari, com quem dividiu apartamento no Rio de Janeiro, e o italiano Pietro Brugo.

Realizou importantes exposições pelo país, sendo reconhecido com prêmios e medalhas. Foi professor da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, onde conheceu sua esposa, Sílvia Luísa Decusati, também de origem italiana. Após o casamento, seguiram para Roma, onde Murillo se dedicou aos estudos de afrescos, técnica milenar de arte decorativa.

Trabalhos importantes

De volta ao Recife, nos anos 1940, recebeu o convite para pintar os afrescos da Basílica da Penha, no bairro de São José, que se tornou um de seus trabalhos mais famosos na cidade, assim como o painel intitulado  A Primeira aula de Medicina, encomendado pela Universidade Federal de Pernambuco, e os retratos do engenheiro Vauthier e do Conde da Boa Vista para a sede do Teatro de Santa Isabel.

Ele também se destacou por pintar temas históricos, sendo um de seus quadros mais famosos O fuzilamento de Frei Caneca.

Detalhe da pintura O fuzilamento de Frei Caneca

O museu

Em homenagem à esposa, que faleceu em 1967, Murillo quis fundar um museu, onde constaria todo o seu acervo e haveria uma sala dedicada aos trabalhos de Sílvia, que também era pintora.

O sonho do pintor foi concretizado, mas ele não chegou a vê-lo pronto, pois faleceu poucos meses antes, em julho de 1985.

Murillo teve apenas a oportunidade de visitar o local escolhido e participou dos acertos iniciais para levantamento e ordenação do acervo, que conta com mais de mil obras, entre pinturas e desenhos elaborados em diferentes processos e técnicas.

Murillo La Greca
 Museu Murillo La Greca
📌 Rua Leonardo Bezerra Cavalcante, 366, Parnamirim
📞 (081) 3355-3129
⏰ De terça à sexta-feira, de 9h às 12h e 14 às 17h. Sábados, de 15h às 18h.

  • Post originalmente publicado em 30 de dezembro de 2017.