Com o retorno das aulas nas escolas particulares a partir desta terça (1º), o trânsito deve complicar e trazer contratempos para quem leva os filhos de carro ao colégio. A estimativa, segundo a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU),  é que a frota em circulação aumente em torno de 250 mil veículos durante o período letivo.

No bairro de Casa Forte, Zona Norte do Recife, muitos pais optam por fugir do trânsito buscando alternativas que contribuem para a mobilidade urbana. Pedro Lobão tem 4 anos e desde 1 ano e 6 meses vai andando com a mãe, Mara Lobão da Cunha até o Colégio Casa Forte, localizado na Praça de Casa Forte.

“Um dos motivos de eu matricular meu filho nesse colégio foi justamente não precisar pegar trânsito pra levá-lo, já que moramos na Praça. No percurso a pé, a gente vai conversando, ele para pra ver os peixinhos no lago da Praça, vê um cachorro passando, ele adora”, reflete Mara.

Tempo e cidadania

Alunas do mesmo colégio, Maria, de 7 anos, e Alice, de 2, vão de bicicleta com o pai, o dentista Henrique Vieira Barcelar, que depois segue para o trabalho pedalando.

“Elas acham muito mais divertido. Além da gente ganhar tempo, já que eu demoro mais se fosse de carro, estou contribuindo para formação delas enquanto cidadãs, mostrando pra elas que o trânsito precisa ser melhor estudado. Quem vai de carro acaba criando fila dupla e gerando mais transtorno no bairro e na cidade”, explica o dentista.

Henrique e a filha Maria: deslocamento de bike se torna mais divertido. Foto: divulgação

Este ano, a filha mais velha, Maria, passou a ir pedalando a própria bicicleta enquanto o pai vai acompanhando na bicicleta dele. “A gente acaba errando um pouco, subindo nas calçada, mas é a unica alternativa, já que o trânsito dificulta e não contamos com as ciclofaixas durante a semana”, observa.

É natural caminhar!

Durante muito tempo, a procuradora Ana Carla Ferraz utilizou bicicleta para levar os filhos Lucas, de 6 anos, e Marcela, de 11 anos, até o Colégio Apoio, entre os bairros de Casa Forte e Casa Amarela.

“Depois que Lucas cresceu, ficou inviável carregar os dois na bicicleta. Então comecei a ir andando com eles pelo meio da Praça de Casa Forte. Eles iam correndo atrás dos pombos. É um percurso muito mais feliz. A relação com o trânsito estressa bem mais”, conta.

Hoje, Lucas estuda no Colégio Motivo, na Avenida 17 de agosto, e continua indo a pé com a mãe. “Precisamos resgatar essa organicidade de achar que é natural ir caminhando. Apesar da praticidade do carro, ele nos engessa, ficamos mal acostumados e preguiçosos, prejudicando a mobilidade.”

A partir desta quarta (2), cerca de 50 agentes orientadores de trânsito estarão em corredores que dão acesso a grandes escolas da cidade para minimizar os transtornos no trânsito, com trabalho de orientação e reforço da fiscalização. Na sexta (4), a CTTU também vai distribuir informativos com dicas de segurança viária para alunos, pais e professores no bairro de Parnamirim.