Até os 12 anos, o chef Claudemir de Barros comia caju achando que era bife. A mãe dele (que foi cozinheira no restaurante Leite) colhia os frutos na frente de casa, no bairro do Jordão Baixo, espremia para sair um pouco do caldo, temperava e oferecia aos filhos. A lembrança do sabor não saiu da memória de Claudemir, que usou o caju como “carne” ao criar um dos seus pratos mais inventivos: o chambaril de caju.

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Depois de mais de uma década como funcionário do Wiella Bistrô, ele agora é, pela primeira vez, sócio de um restaurante. E tudo está como ele sonhou no Oleiro Cozinha Artesanal: cardápio enxuto com ingredientes da gastronomia brasileira, dois tipos de menu degustação, decoração com mestres do barro.

Os pratos do cardápio são totalmente novos: o único “antigo” é o chambaril de caju, que não é fixo no cardápio, mas pode surgir como entrada em um dos menus de degustação.

O chef e sócio do Oleiro, Claudemir Barros. Foto: Wagner Ramos

O Oleiro funciona há mais ou menos um mês onde era o antigo Provout, ali na rua ao lado do Pão de Açúcar de Parnamirim. O piso de ladrinho hidráulico, a decoração com arte do barro, os bordados na mesa, os pratos de barro (lindíssimos, da olaria Gonzaga,  em Caruaru) dão o toque regional no requintado ambiente.

Mas vamos falar do que realmente importa: comida! E nisso o Oleiro é uma experiência e tanto. Claudemir Barros é um mestre em combinar ingredientes e despertar sabores. Esse polvo da foto que abre este post é uma entrada e é per-fei-to: macio, saboroso.

O ambiente. Foto: Wagner Ramos

Vai acompanhado de uma farofa de cebola roxa com crocante de castanha-do-pará e um leve purê de couve-flor. E uma calda de umbu. Que combinação, hein? custa R$ 45 e vale cada centavo.

As entradas, aliás, são todas excelentes. Não tem como errar. Provei ainda o tartar de atum, o carpaccio de queijo coalho defumado e os cogumelos gratinados com castanha e todos eles são um exemplo de gastronomia criativa e saborosa. Todos os preços estão no cardápio ao final deste post (quem não ama ver logo os preços e descrições dos pratos?).

A costelinha suína do Oleiro. Foto: Wagner Ramos/Divulgação

De prato principal, fui na costela de porco com jerimum assado e purêzinho leve (chamado de mousseline, pela textura semelhante ao mousse) de castanha. Claro que a costelinha é daquelas que a carne se despede sem dificuldade do osso. Uma delícia.

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As sobremesas foram criadas pela chef Sofia Mota, casada com Claudemir Barros e uma fada quando se trata de doces. Nas criações de Sofia, dá para se sentir o sabor dos ingredientes e se deleitar com a conexão entre eles. Nada açucarado demais. Essa escultura bonita da foto abaixo é um simples bolo de bacia – que vira outra coisa nas mãos dela. Também gostei muito do Cacau café cupuaçu: se você gosta de chocolate, vá nele sem hesitar.

Sobremesa de Sofia Mota. Foto: Wagner Ramos

Como tudo no cardápio é bom, vale a pena pedir um menu degustação, um dos diferenciais do restaurante. Há duas opções: uma com entrada, prato principal e sobremesa (R$ 90) e outro com entrada, três pratos principais (porções menores) e sobremesa (R$ 130). Quem quiser harmonizar com vinho, paga R$ 20 no primeiro menu e R$ 30 no segundo, com rótulos do Nordeste.

O nome Oleiro, que se dá a quem trabalha com o barro, veio com a ideia de Claudemir de fazer um restaurante que se moldasse. “Não tem um oleiro fixo. Hoje, o oleiro sou eu. Mas no futuro pode ser você, outro cliente, o mercado. Vamos moldar nossa comida ao paladar de vocês. E vocês vão moldar a gente no paladar que vocês querem”, diz. Tomara que o oleiro continue sendo Claudemir. Nas mãos dele, não tem erro.

Oleiro Cozinha Artesanal
📌 Rua Albino Meira, 58, Parnamirim
📞 Telefone: 3128-1708
⏰ Funcionamento: terça e quarta, das 19h às 23h30; quinta-feira das 19h à meia-noite; sexta e sábado, das 19h à 00h30 e domingo das 12h às 16h
👨‍👨‍👧‍👧 Capacidade: 75 pessoas
Instagram: @oleirocozinha

Cardápio: