Os primeiros pianos em Pernambuco foram identificados através de depoimentos de visitantes estrangeiros. Um deles foi o inglês Henry Koster, frequentador assíduo do Poço da Panela, na Zona Norte do Recife, no início do século 19.

Como estrangeiros ajudaram a contar a história de Casa Forte e das redondezas

Koster registrou a mais antiga notícia da presença de um piano em terras pernambucanas, em 1810, durante a festa de Nossa Senhora da Saúde, que  acontece até hoje na Igreja do Poço, em frente à Venda de Seu Vital.

De acordo com a anotação do viajante, reproduzida no livro O Piano em Pernambuco, de Leonardo Dantas Silva, o instrumento foi  “tocado pela senhora de um negociante e alguns instrumentos de sopro tocados por pessoas respeitáveis”, enquanto “a música vocal foi executada pelas mesmas pessoas, auxiliados por alguns mulatos, escravos da senhora.”

Após o episódio, não demorou para que o piano se popularizasse nas celebrações litúrgicas e tradicionais práticas religiosas, além das residências do Recife e de Olinda.

Carregadores de piano no Recife, 1910. (Foto: Benício Dias/Acervo Villa Digital Fundaj)

De acordo com o historiador Leonardo Dantas, na segunda metade do século 19 até o único do seculo 20, essas duas cidades viviam uma verdadeira “pianolatria”, como atestam os varias anúncios da época.

Além de ser motivo de reuniões de convívio, principalmente para audições de musicas importadas, de modinhas brasileiras e até para danças, o instrumento modificou os gostos e costumes da cidade, trazendo até uma nova profissão: o carregador de piano, que fazia a mudança das lojas para as residências e instituições religiosas, como mostra a foto acima.