Ainda muito conhecidos por sua característica residencial tradicionalmente horizontal, os bairros de Campo Grande, Torreão, Rosarinho e Encruzilhada foram “descobertos” pelas construtoras e começam a ganhar arranha-céus.

O movimento, de acordo com a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE), começou há cerca de cinco anos, fruto tanto da demanda pelo produto como da ausência de novos terrenos nos bairros vizinhos.

“Esse é um movimento natural do mercado. Quando há um esgotamento de espaços para construção nos bairros mais procurados, há uma expansão. Soma-se a isso o fato de que os moradores desses bairros têm uma característica peculiar: são pessoas muito apegadas ao lugar onde nasceram e cresceram e não querem sair do bairro, só não tinham opção com melhor infraestrutura”, explica Luyndson Lino, diretor de economia e estatística da Ademi-PE.

Hoje é difícil achar um ângulo em que não prevaleçam os prédios (Foto: Bernardo Soares/acervoJCImagem)

O preço médio do metro quadrado nesses novos empreendimentos da região fica, em média, R$ 5.800, variando de 50 m² a 65 m². “Há opções para todos os gostos. A qualidade desses empreendimentos é a mesma encontrada em qualquer lugar da cidade, a única diferença é mesmo o tamanho”, afirma lembrando que os imóveis têm dois ou três quartos e áreas de lazer que podem ser completas ou mais simples, dependendo do preço final.

Os moradores já começaram a notar essa transformação. “Em Campo Grande, só tinha prédio de até três andares, antigos. Agora temos vários, todos novos, com segurança, central de gás, portões eletrônicos. Está mudando a característica do bairro. Não acho ruim, mas espero que a infraestrutura da região acompanhe as mudanças”, avaliou Neide Ramos, moradora da rua Dr. Machado há 47 anos.

Se o poder público ficar só assistindo esse adensamento, vamos ter a precarização dos serviços e um caos de transito na região.