Ontem, quarta-feira (19), houve uma reunião para tratar dos dois setores que estão interditados eticamente na Maternidade da Encruzilhada, na Zona Norte do Recife.

Representantes do Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco (Coren-PE) e da direção do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam) começaram a discutir a possibilidade de desinterdição ética dos profissionais de enfermagem dos setores de alto risco e ginecologia da unidade de saúde, causada pela ausência de enfermeiros. Outro problema da maternidade é a superlotação.

A presidente do Coren-PE, a enfermeira Marcleide Cavalcanti, disse ao PorAqui que representantes da Pró-Reitoria da Universidade de Pernambuco (UPE) devem apresentar uma proposta na próxima segunda (21), que será analisada pelos conselheiros para que os dois setores sejam liberados ou continuem interditados.

Ela esteve acompanhada da coordenadora adjunta da fiscalização, a enfermeira fiscal Ivana Andrade, e do procurador da autarquia, Bruno Becker,  no encontro com a direção do Cisam.

(Foto: Divulgação)

Sobrecarga

Na ocasião, também foi verificada se alguma medida está sendo tomada para solucionar o problema de sobrecarga de trabalho. Segundo o Coren, existe um déficit de 143 enfermeiros e 81 técnicos. Na última sexta-feira (14), o conselho determinou um prazo de cinco dias, contado a partir do dia 17 de julho, para que fosse apresentada uma solução para a problemática, sob pena de interdição ética dos demais setores.

Normalização

Apesar de a situação encontrada após três dias de interdição não ter mudado, a direção da maternidade já está tomando as providências necessárias para normalizar os serviços. O concurso público para a contratação de profissionais de enfermagem, por exemplo, deve ser realizado em outubro, e os aprovados serão convocados em novembro, ainda neste ano de 2017.

De acordo com a presidente do Coren-PE, a situação é caótica. “São mães e crianças numa situação daquelas e sem qualquer acolhimento”, avalia Marcleide.

Com o Cisam, o Coren-PE atinge a marca de 22 interdições éticas realizadas apenas em 2017. Com a intensificação das fiscalizações iniciadas em março de 2016, em todo Estado, foi possível que o conselho pudesse agir de forma mais eficaz, obtendo resultados expressivos para a categoria.

Até agora, foram interditados eticamente 10 PSF’s em Orobó, a Unidade Mista em Salgadinho, as unidades de saúde de São Vicente Férrer e Ferreiros, o Centro de Saúde de Tacaimbó, o Hospital Santa Genoveva (Piedade), o Samu de Olinda, a Clínica Nossa Senhora do Carmo, a Policlínica de Ouro Preto, o Hospital Policlínica Jaboatão Prazeres, Policlínica Willian Nascimento da Silva e a Policlínica de Rio Doce.