O programador e morador da Encruzilhada, na Zona Norte do Recife, Aldenio Ferreira Alves, 42 anos, está disposto a levar a sério a ideia de viver com menos. Entre outras ações para deixar a vida mais simples, ele aderiu a uma plataforma chamada Bookcrossing, que tem por objetivo a prática de registrar sua biblioteca, deixar um livro num local público para ser encontrado e lido por outra pessoa, que também deve fazer o mesmo. Ele criou, no Recife, o ponto oficial para a libertação dos livros na loja Reciclo Bikes, no Mercado da Encruzilhada.

Livro livre

Como o desapego já era uma filosofia na vida de Aldenio, ele logo se encantou com a proposta do Bookcrossing. “Conheci o site na época da fundação, há uns 10 anos, e gostei da proposta. A ideia do projeto é divulgar e sensibilizar as pessoas para transformar o mundo numa biblioteca. Você faz seu cadastro no site, começa a registrar seus livros e depois de lido pode libertar. O site é um banco de dados para organizar uma prática que já existia, a de deixar livros em pontos públicos. A plataforma veio para somar junto a esse hábito”, explica.

O outro endereço de troca de livros registrado no Bookcrossing é o atelier do artista Jacaré.

Foto: Enio Paipa/Divulgação

No Bookcrosing, cada livro registrado ganha um ID e você pode armazenar toda sua  biblioteca. “Esse ID gerado é único e mesmo que exista outro livro igual ao seu, nunca vai ter o mesmo registro. Então em cada título você pode acompanhar e colocar a situação dele, se está livre em algum ponto oficial, se faz parte de sua coleção permanente ou se está para ainda ser lido. Se alguém se interessar por um título de uma coleção permanente, por exemplo, pode entrar em contato pelo site com o dono do livro para sugerir uma libertação controlada por empréstimo”, relata.

Custo zero

Aldenio disse que quando começou no Bookcrossing havia alguns pontos no Brasil, mas pouquíssimos no Nordeste. “Falei com as meninas da Reciclo Bikes e elas toparam. Deixei os livros lá como um ponto para os leitores pegarem. O custo é zero, é libertação. Qualquer pessoa, mesmo sem estar cadastrado no site, pode pegar o livro para ler, mas o legal é participar deixando seu livro também. A ideia é aumentar a colaboração e criar novos pontos e libertação de mais livros”, ressalta.

O bookcrosser Aldenio, como é chamado pela comunidade, já registrou mais de 300 livros na plataforma, entre pessoais e doações de amigos. Na Reciclo Bikes, há mais de uma centena de publicações esperando pelos leitores. “Cheguei a levar livros infantis para libertar no Jardim do Baobá, nas Graças. As crianças ficaram loucas pelos livrinhos e eu doei todos para elas. Fiquei lá divulgando o projeto. No Brasil, as pessoas infelizmente não sabem o que é compartilhar, desapegar, gostam de mostrar fotos das bibliotecas em casa, de livros que nem eles próprios leem (risos)”, critica.

À espera de um leitor

Aldenio conta que sempre gostou de livros e lia muito, principalmente livros de histórias e biografias. Mas tinha dificuldade financeira para ter acesso às publicações, vivia lendo em bancas de revistas, sebo e pegava emprestado, o que também o despertou para o compartilhamento. “Sou da área de desenvolvimento de software livre, de trabalhar colaborativo na internet com liberdade de conhecimento, tenho esse pensamento de viver com menos e descomplicar, tem tudo a ver. Não faz sentido eu usar carro se posso ir de bicicleta, usar ferramenta paga se eu tenho livre. A turma acha que tem que pagar e depender de uma ferramenta, ficar na mão do mercado. É uma pena. Experimentem pegar um livro, doar e receber de resposta o quanto foi importante pra outra pessoa. Tem vários livros esperando pelos leitores na Reciclo, leiam e compartilhem”, enfatiza Aldenio.

Ponto oficial do Bookcrossing – Reciclo Bikes
Rua Doutor José Maria s/n – Mercado da Encruzilhada – box 220
Fone: (81) 3048-4050
www.bookcrossing.com.br