A superlotação na maternidade do Centro de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam/UPE), na Encruzilhada, Zona Norte do Recife, tem deixado preocupados médicos e funcionários da unidade hospitalar. Além de haver necessidade de contratação de técnicos em enfermagem e enfermeiros, o PorAqui conversou com profissionais que relatam a falta de espaço para mães e bebês.

Mas, até agora, a única resposta aos problemas é a perspectiva de contratar enfermeiros e técnicos por concurso, que teve inscrições prorrogadas até o fim do mês.

“A gestão executiva do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros da Universidade de Pernambuco (Cisam/UPE) esclarece que a superlotação é devida a uma demanda reprimida existente na rede de saúde e que a unidade hospitalar prefere atender as pacientes que procuram o Cisam/UPE, mesmo com a superlotação”, diz nota enviada ao PorAqui pela assessoria da universidade.

A denúncia fica ainda mais grave, pois aumentou muito a procura por maternidades com capacidade de atender partos de alta complexidade por conta de fechamento de leitos no interior. Neste mês, chegou a ser preciso colocar bebês da Unidade de Complexidade Intermediária 3 (que estão se recuperando de infecções) com os da UCI 1, onde ficam crianças que nasceram com pouco mais de um quilo.

A superlotação na Maternidade da Encruzilhada é um problema histórico, como mostra reportagem de 2012 do Jornal do Commercio.

Foto: Rodrigo Lôbo/JCImagem

Em reportagem da Rádio Jornal, o pai de uma menina nascida na maternidade relatou o drama vivido pela sua companheira. A gestante chegou às 8h da manhã com cinco centímetros de dilatação, mas só veio a ser propriamente atendida às 23h, pois “disseram que não tinha vaga na sala de parto”.

Na reportagem citada acima, o diretor do hospital Olímpio de Morais Filho admite que a maternidade está “com uma superlotação muito maior do que é possível suportar, eu tenho pacientes em macas e também poltronas ocupando corredores”. As denúncias continuaram, mas as respostas dos gestores não solucionam o problema imediatamente.

Segundo a nota enviada ao PorAqui, o deficit de profissionais “é devido a pedidos aposentadoria, afastamento, morte e exonerações. Então é um número rotativo e sempre em crescimento, até que haja novo concurso para o preenchimento dessas vagas ociosas”.

A Universidade de Pernambuco (UPE) esclareceu que a contratação de servidores para os hospitais que compõem seu Complexo Hospitalar é feita através de concurso público. O concurso público recentemente teve o prazo de inscrições prorrogado até 31 de julho e prevê a contratação de 6 enfermeiros e 17 técnicos de enfermagem, num total de 388 vagas para diversos cargos nas áreas administrativa e hospitalar. Mais informações e inscrições aqui.