Uma geração de arquitetos recifenses ganhou prêmios e se destacou no cenário nacional por projetos de edifícios residenciais. É o caso de Wandenkolk Tinoco, que se formou no fim da década de 50 e tem em muitas de suas obras elementos criados para que moradores de casas pudessem se sentir mais confortáveis na transição para os prédios que começavam ainda a se destacar na paisagem recifense.

Em documentário recentemente aberto ao público através da plataforma Vimeo, o arquiteto explica muito do que o motivou nestes quase 60 anos de profissão. “Eu sempre procuro a maior integração possível da natureza com o espaço interno, que eu chamo de espaço de transição verde, um terraço aberto para uma paisagem verde (sempre)”, resume.

Wandenkolk da Aeroplanos no Vimeo.

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Diretor do curta, o arquiteto e mestrando Bruno Firmino explica que sua motivação foi uma inquietação de tornar a arquitetura um assunto do cotidiano para quem não é arquiteto. “Do mesmo jeito que falamos sobre cinema, política, gastronomia, também podemos falar de arquitetura”, explica, dizendo que seu trabalho tenta apontar para uma lacuna da historiografia da arquitetura pernambucana e nordestina.

Ele tem outros projetos para tornar conhecidos os trabalhos de outros arquitetos. Mas prefere não adiantar, apesar de quando questionado sobre quem teria contribuições na linha de Wandenkol, lembrar de nomes como Acácio Borsoi, Vital Pessoa de Melo, Zamir, Zenildo e Zildo Caldas (Senna Caldas), Helvio Polito, Alexandre Castro e Silva, Geraldo Santana, Armando de Holanda e Delfim Amorim.

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“Eu entendo que fazendo cinema, estou fazendo arquitetura também. Você faz arquitetura fotografando,  fazendo intervenção urbana… Vejo tudo isso como um campo ampliado que falta a gente ocupar. Nos projetos de algumas grandes construtoras daqui, o arquiteto é só um facilitador”, analisa.

Imagem: Frame do curta Wandenkolk

Atualmente, Wandenkolk mora no Recife e trabalha como escultor e arquiteto. Os edifícios construídos por ele, podem ser vistos na Encruzilhada, Piedade, Espinheiro, Parnamirim, Aldeia e em praticamente todo o Recife. Saiba mais aqui.

Confira alguns dos ensinamentos do arquiteto:

“Arquitetura tem que ter epiderme, ela tem que ter sensualidade.”

“O interesse maior do arquiteto que produz para o Nordeste é criar qualidade de vida e, qualidade de vida num clima tropical, é você estar num lugar ameno, sombreado, que tenha abertura para permitir a passagem dos ventos. Na demanda imobiliária, há um certo desrespeito a isso, eu diria até assim sabe, hoje está havendo uma construção muito mais cara do que uma construção tropical seria, em função de um novo modismo que é você ficar tentando fazer uma arquitetura de Dubai no Nordeste.”

“Quando eu digo trazer o verde para a arquitetura não é a moleza de trazer para as casas térreas não, é trazer para as torres.”