Neste momento em que me sento para escrever, acabo de ver duas renas pela janela, elas avisam, já é Natal, também tem árvores na rua com pisca-piscas que avisto daqui da sala, sentada  na cadeira de balanço.

No fim de semana, fui surpreendida por um dos vigias do prédio colocando a iluminação de led nos portões, eu presenciei o momento exato em que ele estava instalando a decoração e eu fiquei pensando que dois mil e dezoito já está em seus últimos dias.

Casa: morada, sossego, lugar da minha paz

Como cenas ‘triviais’ podem lançar luz e poesia ao cotidiano

As luzes do Natal me transportam para as ruas do Sertão, onde vivi muitos 25 e 31 de dezembro e ainda hoje costumo retornar pelo menos em uma das duas datas, para celebrar o rito de passagem de um ciclo para o outro. Muda o ano no calendário a cada doze meses, nas memórias estão os filmes da sessão da tarde com os temas natalinos, quem não lembra de Esqueceram de Mim? As brincadeiras de amigo secreto na escola e a felicidade com a chegada das férias, findado mais um ano letivo.

As varandas do bairro começam a ser habitadas por árvores, pisca-piscas e estrelas, tem umas luzes bem próximas e outras mais distantes de mim, em que rua do bairro das Graças deve ficar aquele ponto luminoso que acabo de ver?  Pergunta minha imaginação curiosa.

Decorar a casa e preparar a alma para a transição compõem o ritualizar tão simbólico, por garantir o sentido de continuidade e esperança, tão necessário aos humanos. E você já viu as luzes? Observá-las pode ser um bom exercício de presença ou sobre viver o tempo presente, algo tão primordial nos tempos nebulosos que estamos vivendo, mais do que nunca precisamos das luzes.

Raiza Figuerêdo chegou ao mundo no verão de 1989, em Salgueiro, Sertão de Pernambuco. Nas curvas da estrada, foi descobrindo seus vários eus: escritora, psicóloga, cientista, professora e ainda outros. Tem buscado treinar o olhar para enxergar as pequenas grandes coisas do cotidiano, que coloca no ar em seu site e no canal que mantém no PorAqui, ‘Caminho’. Mora nas Graças.

 

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