Plantar é acreditar no futuro e no que virá, saber que a semente pode virar fruto , mas para isso é preciso a espera dos dias. As horas passam, a semana em manhãs, tardes e noites, em cada momento a esperança de renovação.

Esperar está transformando-se num verbo difícil de conjugar no século XXI, as urgências aparecem nos títulos de email, mensagens de what’s up e a aos poucos se não estiver atento e forte, como diz Caetano Veloso na  canção, o corpo vai cedendo ao ritmo frenético, mas cansa e a vida pede pausa, sempre. Um mantra dos nossos tempos: olhe mais para dentro.

Cultivo

Na pausa cultiva-se a paciência, uma dádiva a ser aprendida, mas até lá, existe um caminho a ser percorrido, em tudo amadurecimento, isso que a gente só consegue sentindo na pele e nas artérias, visceralmente.

Na espera você pode olhar da janela de casa o horizonte, caminhar a pé, tomar um café ou ler seu livro favorito, pode também cultivar um jardim, as flores colorem o ambiente, atraem beija-flores, borboletas e alegram as pupilas, porém não brotam o ano inteiro, você pode querer compartilhá-las com o mundo.

Alguém que mora em minha rua fez isso. Era um dia comum, eu voltava para casa pelo caminho de sempre, mas uma grata surpresa cruzou a estrada e transformou o cotidiano. Passando pela calçada de um prédio, eis que vejo essa pequena maravilha brotando na árvore, sim ela tornou o dia mais bonito e pintou de afeto o lugar.

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A mulher que plantava orquídeas

Uma orquídea entrou no meu campo de visão, transformando aquela paisagem, velha conhecida. Uma moradora do bairro capturou essa delicadeza através da fotografia e colocou na página do Facebook da Associação por Amor às Graças, aí eu  fiquei com mais vontade ainda de escrever esse texto e  espalhar esse gesto de cultivar flores em árvores.

Por mais orquídeas e surpresas pelos bairros. Gentileza de quem a colocou ali, obrigada por ter tornado meu dia mais feliz.

Raiza Figuerêdo chegou ao mundo no verão de 1989, em Salgueiro, Sertão de Pernambuco. Nas curvas da estrada, foi descobrindo seus vários eus: escritora, psicóloga, cientista, professora e ainda outros. Tem buscado treinar o olhar para enxergar as pequenas grandes coisas do cotidiano, que coloca no ar em seu site e no canal que mantém no PorAqui, ‘Caminho’. Mora nas Graças.

 

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