Amélia. É o nome de uma das ruas do nosso bairro, mas esse não é um texto sobre ela. Dia desses, em mais uma das caminhadas terapêuticas, tendo a lua e os postes como fonte de iluminação para guiar os pensamentos, eu me deparo com esse nome num lugar inusitado.

“Amélia” escrito de próprio punho, eu sou fascinada por caligrafias, aprendi a escrever em cadernos de caligrafia que encontram-se em extinção, recentemente fui a uma papelaria e me disseram que tem pouquíssimos, não achei nenhum do que estava procurando, com a pauta toda em branco, apenas com as linhas.

A letra é como sua identidade, a marca que você imprime no mundo, lembro das letras desenhadas do meu avô e das letras cursivas arredondadas na época em que me alfabetizei. Em tempos digitais, a caligrafia é uma memória afetiva a ser cultivada, dependendo do tipo de trabalho desempenhado, você pode passar dias sem escrever uma palavra numa folha de papel ou ser requisitado de tempos em tempos para assinar seu nome.

Flor

Mas, afinal de contas, quem é Amélia? São raízes e galhos em forma de esperança num tronco de árvore: ao que irá nascer, uma ou várias orquídeas que já foram batizadas. Recentemente, eu escrevi sobre essa flor que brotou num pé de árvore na minha rua e foi plantada por uma vizinha.

Eis que a felicidade invadiu meus olhos ao ver que essa ação está se multiplicando por outros cantos do bairro. Havia pouca luz naquele dia, mas eu consegui enxergar Amélia e quero acompanhar seu  desabrochar, as folhas crescerem, os botões brotando e transformando-se em flor, quero imaginar qual a cor das pétalas, brancas? verde-limão? lilás?

Por enquanto, é tempo de espera e Amélia é mais uma vida nessa rua que tem Amizade por nome e muitas plantas penduradas em postes, além de sombra e vento para o caminhar de cada dia.

Raiza Figuerêdo chegou ao mundo no verão de 1989, em Salgueiro, Sertão de Pernambuco. Nas curvas da estrada, foi descobrindo seus vários eus: escritora, psicóloga, cientista, professora e ainda outros. Tem buscado treinar o olhar para enxergar as pequenas grandes coisas do cotidiano, que coloca no ar em seu site e no canal que mantém no PorAqui, ‘Enquanto Caminho’. Mora nas Graças.

 

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