Já tem algum tempo que não curto o Festival de Inverno de Garanhuns – FIG (veja aqui a programação completa), mas essa é uma história recente. Todos os anos eu estava lá batendo cartão, inicialmente com minha família, depois com amigos e parentes. Depois o próprio festival de inverno foi me fazendo amizades, que duraram por anos e anos.

Meu primeiro festival foi em 1992, em sua terceira edição. Para estimular o crescimento do recém-criado evento, as escolas e faculdades de Garanhuns liberaram suas salas para que funcionários públicos de outras cidades, principalmente do Recife, “acampassem” sem custo de hospedagem. Como tenho parentes que sempre trabalharam em órgão público, lá estava eu.

Essa epopeia era estendida a outras entidades, e um amigo meu chegou a relatar que se hospedou num mosteiro, chegando sem aviso e sendo acolhido pelos padres. Eram tempos de aventura.

Não lembro bem dos primeiros anos, apenas de uma camisa amarela de manga comprida que ganhei, com um girassol gigante (logomarca daquele ano) que não era recomendada para usar no colégio em anos de bullying.

Nos anos seguintes a rotina se criava. Como o festival englobava dois finais de semana íamos sempre no último. Descíamos na Praça Guadalajara, atual Praça Dominguinhos, e que tinha metade do tamanho atual, para curtirmos os shows.

Ao término, descíamos para o bar Antiquário (nem existe mais) que ficava na Av. Santo Antônio e era ponto de encontro dos jovens que curtiam uma paquera. Quem tinha pique seguia para o Euclides Dourado munido de uma garrafa de Sangue de Boi para fazer compras no Mercado Pop e curtir a tenda de música eletrônica.

Sorria, você está no Relógio das Flores. (Foto: Acervo Pessoal)

Durante o dia, nossas atividades eram menos profanas. Era de lei tirar fotos no Relógio das Flores, no Pau Pombo e no Cristo do Magano, além de comprar chocolates no Sete Colinas, que na época só tinha a loja da Ernesto Dourado. Eram tempos em que dava para comprar um chocolate por 30 centavos.

Cristo de Magano (Foto: Acervo Pessoal)

O último domingo do festival era estratégico para comprar roupas e lembranças do evento pela metade do preço. Antes de nosso ônibus retornar ao Recife, sempre parávamos no centro para comprar casacos, cachecol, botas e tudo aquilo que iria passar o ano no fundo do armário. Inclusive o camisa amarela do girassol gigante.


Jayme é engenheiro, cervejeiro e nerd old school. Nívia é jornalista, leitora compulsiva e mãe de um labrador chocolate. Juntos, eles amam viajar e são os ‘travel writers’ responsáveis pelo blog Juntando Mochilas.