Uma casa pintadinha de verde e vermelho na Rua Engenheiro Sampaio, no Rosarinho, Zona Norte do Recife, é um refúgio de comida europeia no Recife. Por europeia entenda-se portuguesa, espanhola, italiana e francesa.

À frente da Casa Ibérica, nome do estabelecimento inaugurado em janeiro pelo chef Jaime Alves, um português que fez carreira em Paris e em 2009 aportou em terras pernambucanas com o seu restaurante Tribuna Sabores Ibéricos, em Olinda.

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Quase dez anos de Olinda depois, Jaime sentiu a necessidade de desbravar terras recifenses, começando pela Zona Norte, com o Rosarinho, e com possibilidades de chegar também à Zona Sul. A casa, pelas bandas de cá, ganhou novo nome, Casa Ibérica, e está em funcionamento desde o início do ano.

Com azeite e com afeto

Jaime é daqueles chefs que temperam a comida e a conversa. Tem muitos amigos entre os clientes e cria, no restaurante, um clima familiar, de descontração.

Entre as amizades que fez também por conta de sua cozinha – e de sua paixão por Literatura -, estão os escritores Jorge Amado, José Saramago, que chegou a Nobel de Literatura, e Mia Couto.

“Volta e meia Jorge Amado e Zélia Gattai frequentavam o restaurante. A grande paixão dele eram as comidas da Bahia e a gente tinha que ficar inventando para ele ficar satisfeito. Eu sempre tive uma paixão muito grande por ele, mesmo quando não o conhecia. As conversas com Jorge à volta de um vinho e de um queijo duravam às vezes até alta madrugada”, lembra Jaime, leitor voraz da obra de Jorge desde a adolescência.

Bacalhau, ora pois!

A conversa vai misturando Literatura, gastronomia, política. O tom sempre agradável vai nos distraindo até a hora em que chega à mesa a porção de bolinho de bacalhau (R$ 34,90), bastante leve, com muito sabor e sal na medida.

Um pão integral, receita da avó, é servido com um azeite caseiro, presente de um cliente , uma cortesia da casa. O azeite, junto com o vinho, são para Jaime os maiores atrativos de um restaurante. Sua carta tem 70 rótulos da bebida, com origens em Portugal, Espanha, Itália, África do Sul, entre outros.

Bacalhau JJ é uma homenagem ao pai de Jaime que entrou para o cardápio.

O prato principal fica por conta do Bacalhau JJ, uma criação de Jaime e de sua irmã Janina, para comemorar um dos aniversários do pai deles. “Colocamos neste bacalhau o que meu pai é apaixonadíssimo por comer: bacalhau, batatas ao murro e camarão”, diz. Acabou entrando para o cardápio do restaurante em Paris. No Recife, a porção pra duas pessoas sai a R$ 94,90.

Ele conta que, em um restaurante da França, lá estava o seu JJ. Muito bem feito, segundo ele próprio. Chamou o chef e contou que a receita era dele, mas o homem não acreditou – não se sabe se por medo ou se pelo inusitado da coisa.

Festival da Sardinha

Um dos xodós do chef parece ser o Festival da Sardinha, que acontece no Rosarinho no último sábado de cada mês (em Olinda, no primeiro). Por R$ 65, são servidos uma entrada, pratos à base de sardinha à vontade, acompanhamentos e uma sobremesa. No cardápio de doces, destaque para o mousse de chocolate aerado, a baba de camelo e a cocada ao vinho do Porto, receita de Janina.

Há ainda outras bandeiras que não a portuguesa no menu: da Espanha, destaque para a paella, da França, atenção para a recomendação de um cliente assíduo: filé ao molho de gorgonzola, servido com batata, arroz e salada. Há também comida italiana e catalã.

Jaime conta que dona Zélia Gattai ligava pedindo  pra ele convidar Jorge para o restaurante. O escritor não gostava de sair muito de casa. Mas visitando a Casa Ibérica dá para entender porque Jorge atendia aos convites de Jaime.

Casa Ibérica
Rua Engenheiro Sampaio, 5, Rosarinho, Recife/PE
Telefone: (081) 3039-1699
Horário de funcionamento: de terça a sábado, das 11h às 23h; domingo, das 11h às 17h