O Jordão é um dos bairros mais surpreendentes do Jaboatão dos Guararapes. Dá para acessar seus territórios (divididos entre “de cima” e “de baixo”) pela BR 101 ou pela Estrada da Batalha, próximo ao aeroporto. A localização geográfica, os contrastes e as ilustres figuras que, vez ou outra, nos surpreendemos. A cervejaria artesanal Cachorro Preto, criada há dois anos por André Luis (41), morador do bairro, é um das gratas que recebi este ano.

Produz atualmente seis tipos de cerveja: Irish red ALE, Ipa, Russian Imperial Stout, Best Bitter e Witbier.

Seis rótulos da Cachorro Preto | Foto: André Soares/PorAqui

“Tento fazer algo que se adapta ao paladar brasileiro para trazer mais pessoas para o estilo, mas tem algumas mais fortes, como a versão da Russian que atinge quase 12% de álcool”, explica.

A introdução ao universo cervejeiro não teve início tão cedo. Representante comercial de profissão, em 2012, depois de se arriscar em negócios de outras áreas, começou a descobrir sobre o tema. Conheceu cerveja artesanal de forma inusitada. Andava pelo mercado e comprou uma garrafa de uma marca importada pensando que era champanhe. Deste momento, descobriu sabores diferentes.

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“Assisti vídeos e aprendi praticamente sozinho. Não conhecia ninguém da cena. Comprei umas panelas, as conexões e fui guardando. Dizia para minha mulher que era pra fazer feijoada. Se ela soubesse que era para cerveja, poderia ter dado ruim”, explica André.

Na época investiu R$ 500 num formato totalmente artesanal. Achava que era muito rústico, mas logo descobriu que a dinâmica era tradicional no mundo inteiro. Ouvia música fazendo e pensando num nome, sentiu uma vibração diferente com a música Black Dog, do Led Zeppelin, que traduzida para o português, nascia a cachorro preto.

“Quando fiz a primeira leva falei para um amigo que faz hoje comigo. Os amigos foram  bebendo e começaram a pedir para festas. As encomendas foram aumentando e dos 20 litros iniciais, cheguei a quase 500 litros em um mês”, lembra. Mas o gargalo do investimento necessário para produção ainda é muito complicado. Ainda é necessário trabalhar paralelamente

A forma que os cervejeiros ainda não formalizados têm de sobreviver é comercializando em eventos, encontros, casamentos, aniversários, confrarias e até food parks.