Não é chá, nem café e muito menos Coca-Cola. O sabor adocicado do chocolate, apesar de ter se popularizado no mundo através do comércio europeu de barras à base de cacau, remonta antigas civilizações da América Latina, como os Maias, que através de um processo alquímico, transformavam a fruta numa bebida em oferenda aos seus deuses. De uma fruta de forte base funcional ao vilão das dietas. O PorAqui conversou com a nutricionista Larissa Almeida para desvendar os mitos acerca do tema. ?

“O cacau em si é um alimento excelente. Possui os mesmos compostos que são exaltados nas frutas vermelhas, vinhos, amora e cereja, por exemplo. O problema é consumir a melhor versão”, esclarece a nutricionista que, na dieta dos seus pacientes, consegue estabelecer uma quantidade diária do alimento.

O método utilizado nas dietas é basicamente com chocolate amargo. Dá para introduzir na alimentação, por exemplo, 10 gramas diárias, o equivalente a dois pedaços. Tudo isso lembrando que o chocolate não é um “prêmio” ou algo a mais. A inserção dele na rotina alimentar é baseada em cálculos. Por exemplo, se o paciente não tem restrição, é possível substituir por uma certa quantidade de castanhas.

Benefícios

Segundo Larissa, o cacau em sim só apresenta benefícios através das substâncias que têm características antioxidantes no corpo. Isso Inibe o colesterol de formar placas de gorduras nas artérias, previnem envelhecimento precoce e tem até ações anti-inflamatórias. Tudo isso acrescido da regulação do sono, um melhor humor e apetite.

“O grande problema são as versões existentes no comércio e quantidade consumida, como o chocolate branco que não entra em dietas e o ao leite, que conta apenas com 20% de cacau. O primeiro ingrediente é açúcar, o segundo é leite, o terceiro é nata de cacau”, explica.

Se consumido na versão errada, os efeitos podem ser exatamente o oposto. Ganho de peso, já que são ricos em açúcar e gordura vegetal hidrogenada; se tiver pré-disposição à diabetes podem ter efeitos ainda piores e possuem até ações pró-oxidantes causadas pela gordura hidrogenada.

“O ideal é consumir o chocolate amargo com, no mínimo, 56% de cacau. Atualmente é possível encontrar em lojas de produtos naturais muitas marcas que oferecem o chocolate com maior percentual de cacau em diferentes versões. Porcentagem acima de 70% adoçado com açúcar mascavo, de coco e adoçantes naturais, como o xilitol, são ainda melhores”, conta.

Uma barra de cem gramas custa em média R$ 15. Um valor acima dos chocolates mais comuns. Mas, dentro de uma das dietas de Larissa, com esse valor, o paciente tem a possibilidade de utilizar o produto durante 10 dias, o que diariamente, custaria uma média de R$ 1,50.