Chambaril, dobradinha, sarapatel, cabidela e muitas outras dessas delícias são a cara da cozinha pernambucana, da boa comida de panela com aquele tempero de mãe que só a gente conhece. É no bairro do Ipsep que o Seu Luna Restaurante Bar reina absoluto nesse quesito, e se tornou tradição na região por quem procura aquele almoço farto e saboroso.

Do lado de fora, o aspecto tímido de casa e garagem não indica que lá dentro funciona o restaurante, que, em abril último, completou 30 anos e segue sendo referência no quesito comida de panela. Antônio de Oliveira Luna, 81 anos, foi quem começou o empreendimento, hoje sob o comando dos filhos Ronaldo e Cláudia Luna, que é a chef do restaurante.

Pouco dado a entrevistas, a gente ainda conseguiu arrancar uma falinha de Seu Luna, contando o início do restaurante, na época em ele se aposentou. Tudo começou com as caninhas que gostava de tomar nos fins de semana.

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Seu Luna e a chef Cláudia Luna (Foto: Leonardo Vila Nova/PorAqui)

“Minha esposa sempre preparava os tira-gostos pra acompanhar. Pra não saborear sozinho, eu chamava os vizinhos. E aí começou aqui com esse pessoal”, lembra. “Tinha umas cadeiras e tal, mais para receber os amigos. E aí houve gente que me deu conselho que eu montasse um negócio, e nisso, chegamos a 30 anos”. De cadeira em cadeira doada, abriu o negócio.

Dona Elizete, esposa de Seu Luna, foi a comandante da cozinha desde então, dando aos pratos o seu tempero particular, que foi o sucesso da casa. Em 2006, ela faleceu, e a filha Cláudia tomou para si o legado da mãe. Antes da área de Artes Plásticas e Moda, Cláudia se especializou em Gastronomia e é a atual chef.

Após 5 anos longe do restaurante – descansando num sítio – Seu Luna voltou este ano e ganhou um espaço só seu, onde reina soberano: a área do bar. Mas os olhos atentos observam o movimento da casa como um todo.

Olha essa dobradinha (Foto: Marcelo Lima)

Pratos

O carro-chefe do Seu Luna é, sem dúvida, o chambaril (que fisgou o chef Alex Atala… já já a gente fala disso). As porções generosas do completo – que acompanha pirão, arroz e legumes – estão em opções para servir uma (R$ 30), duas (R$ 54) e três a quatro pessoas (R$ 74). E sim, serve muito bem!

E todos aqueles pratos que dão aquela “molezinha boa” depois do almoço estão no cardápio (aqui, com preços para uma pessoa): sarapatel completo (R$ 20), cabidela completa (R$ 26), galinha guisada completa (R$ 24), dobradinha completa (R$ 20), e por aí vai.

Sarapatel (Foto: Marcelo Lima)

Em 2006, o cardápio ganhou como item fixo a rabada (completa – R$ 28) e, há uns quatro anos, algumas opções de cuscuz (com seus toques especiais), assim como a buchada, que, na época de dona Elizete, era feita por encomenda, agora está disponível diariamente no restaurante.

Ao assumir a cozinha, Cláudia Luna procurou respeitar a tradição dos temperos maternos. “A gente faz as coisas do jeito que ela ensinou. E parte da equipe aqui vem desde a época dela. Tem gente que está aqui há 18 anos”.

Cláudia também deu alguns toques pessoais (com muito cuidado, para não descaracterizar o tempero tradicional) e criou itens como o bolinho de chambaril com molho de acerola (R$ 18,90 – porção com 5 unidades).

Bolinho de chambaril com molho de acerola (Foto: Marcelo Lima)

Tempero “by Luna” em São Paulo e Barcelona

O sabor já conhecido do restaurante Seu Luna conquistou o mundialmente renomado chef Alex Atala, que esteve no local em 2015. “Ele provou um pouco de tudo: cabidela, dobradinha, sarapatel, chambaril, buchada. Adorou e me convidou pra cozinhar no restaurante dele”, lembra Cláudia.

O convite veio se concretizar dois anos depois. Em 2017, Cláudia passou uma semana no Dalva e Dito, restaurante de Atala dedicado à culinária brasileira. Era servido aos clientes: caldinho de dobradinha e cuscuz de cabrito com queijo (entrada), chambaril (prato principal) e cartola (sobremesa).

Alex Atala, Cláudia Luna, Ana Paula Padrão e Hugo Prouvot no Dalva e Dito (SP) (Foto: Arquivo pessoal)

“Todos os dias, ele saía do Dom só pra ir comer o chambaril lá no Dalva e Dito”, lembra Cláudia.

O tempeto “by Luna” também chegou a Barcelona, quando Cláudia foi convidada por Ângela Assis, para cozinhar por dois dias no restaurante Cantinho Brasileiro. Teve chambaril. E teve também, de lambuja, sarapatel e dobradinha.

Jorge Du Peixe é presença constante em Seu Luna. Posta até nas redes sociais (Foto: Reprodução/Instagram)

Esse tempero também já caiu nas graças de nomes como Fafá de Belém, do sambista Diogo Nogueira e de Jorge Du Peixe (Nação Zumbi), que, vez ou outra, posta em suas redes uma foto se fartando das delícias do Seu Luna.

Seu Luna Restaurante e Bar
?Rua Saldanha Marinho, 645 – Ipsep
⏰ Terça a quinta, das 11h às 16h / Sexta a domingo, das 11h às 17h
? (081) 3339-0012