Você conhece Javier Martínez? O morador da Rua João Ramos, casado com Isabela Faria (do Café na Calçada) e pai de Malu, já deu as caras aqui com fotos do bairro das Graças. Dessa vez, o argentino que mora na Zona Norte do Recife revela para os leitores dez pérolas selecionadas por ele mesmo de sua página no Facebook.

Ditados populares, frases feitas, depois de passarem pela lupa de Javier, ganham uma nova lógica. 😛

Arte: Caio Vieira/PorAqui

Entrevista

PorAqui: Em que você se inspira para escrever essas “pérolas”?

Javier Martínez: A inspiração vem geralmente do nosso cotidiano. Sempre achei interessantes os ditados populares. Eles têm um misto de poesia, criatividade e humor. Muitos ditados conservam uma métrica, uma rima, uma sonoridade, outros são simplesmente engraçados e outros tiram você do momento presente com a comparação.

“Em casa de ferreiro…”: Quem é que conhece um ferreiro de profissão? Quem pensaria num espeto de pau? Essa frase vem desde qual século? Como sobreviveu até hoje? Aí eu fico trocando as palavras das frases e vejo no que dá.

O inusitado fica engraçado, uma palavra trocada faz a frase ganhar um sentido completamente diferente do original.

PorAqui: Pra você, qual a função do humor?

Javier Martínez: O humor é uma excelente forma de criticar, sem produzir o efeito negativo da crítica direta. Além disso, faz pensar. Desconstruir uma frase faz o leitor parar para ler e refletir. Muita gente se identifica com as novas frases.

Tem gente que não gosta de algumas brincadeiras. Gosto do humor inteligente, aquele que não passa despercebido e provoca alguma reação. De preferência, o riso.

PorAqui: Acha que um olhar criativo o faz enxergar o bairro em que mora de maneira mais profunda, ou seja, com mais nuances? Se sim, como?

Javier Martínez: Sim, uso minha visão de raio X o tempo todo. Uso muita poesia no meu dia a dia, o meu olhar tem esse filtro. E vem de tudo, poesia, letras e composições musicais. A fotografia me ajudou a aguçar o olhar e fazer recortes.

O bairro oferece leituras, eu vejo o bairro nas antíteses. Uma hora cheio, outra vazio. Uma hora caos, outra calmo. Um prédio com o cimento fresco e uma casa secular do lado. A musicalidade dos vendedores de fruta-pão, macaxeira, vassouras, cocada, a estridência das buzinas e sirenes.

Pessoas que dão boa noite e pessoas que nem bom dia têm pra dar. E é nessa bipolaridade que amamos as Graças e nessa loucura que procuro criar os trocadilhos.